Estou aprendendo a exercer minha maternidade

Jéssica


Engravidei de quem eu achava ser o homem que eu amava e que me amava também, alem de meu melhor amigo. Depois que ele soube da gravidez, deixou de me amar, palavras dele. Então fiquei eu, minha barriga e aquela sensação de: como eu fui burra, por que eu fui fazer isso, confiei mais uma vez, nunca quis ser mãe, quanto menos sozinha, eu estou sozinha.

Eu, uma grávida triste. Ninguém do meu trabalho estava preparado para isto, eu ouvi e fui olhada de todas as maneiras mais preconceituosas e maldosas possíveis.

Mudei, apaguei, engordei, senti dores físicas, emocionais, me perdi, não era mais eu mesma, vomitei do primeiro ao ultimo dia da gestação, chorava até dormir, não via saída.

Quando o bebe nascer você vai ver, tudo vai mudar, você vai ser feliz, a maternidade vai saltar pra fora, você vai ver.

Dor, dor e mais dor. Hospital, bebe nasce, eu olho pra ela e não reconheço aquela pessoa pequena que chora, chora, chora e esperneia às três da manhã.

Passam- se os dias, o corte da cesárea DÓI, meus peitos doem, a bebe chora, chora, chora e não dorme NUNCA!

Acabou minha vida.

Após alguns meses as coisas muito, mas muito vagarosamente, vão se moldando e você vai se moldando para um caber no outro.

Perdi amigos, perdi rotinas, perdi meu sono e meu corpo, não tive um tempo para mim. Senti uma vontade de me libertar daquilo tudo, eu queria eu mesma de volta, 11 kg a menos, livre pra ir e vir, mas tinha um sling com uma pessoa no meu corpo precisando de mim as 24 horas de todos os meus dias.

Três anos se passaram e hoje depois de conversar com algumas mães de um grupo de mães solo e a vida te empurrando pra frente, posso dizer que estou aprendendo a exercer minha maternidade.

A cada aniversario dela, as pessoas comentam: nossa passou rápido!

E eu penso: não , não passou, passou devagar demais, alias, ainda esta passando.

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1 comentário Adicione o seu

  1. elisamorales08 disse:

    Para todas nós o dia a dia da maternidade é um exercício de superação. Todos as noites penso: sovrevivi mais um dia! Deu tudo certo e meu filho está bem.
    Dadas as circunstâncias da sua maternidade, é superação em dobro. Por isso, sinta-se uma mulher de fibra. E sinta também o meu abraço e solidariedade.
    Acho que só vamos parar de sofrer asssim quando deixarmos de esperar da maternidade uma experiência quase religiosa de êxtase e passarmos a encara-la de forma mais realista: o árduo trabalho (por vezes braçal) de educar e formar um bom ser humano. Sem pieguices. Você tem todo o direito de achar penoso, de sofrer pelo que perdeu com isso, de sentir raiva pelo descaso de seu ex companheiro. Não somos deusas, somos mães!

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