Quando meu filho nasceu…

Por Alessandra Calbucci – 07 Junho 2015 – Psicóloga Alessandra Calbucci


 Quando meu filho nasceu eu fiquei tão… Feliz, serena, animada?

Mas não só isso. Fiquei confusa, cansada, ansiosa, chorona e deprimida.

Nossa sociedade tem uma visão idealizada da maternidade. Você pode crescer acreditando que ser mãe é padecer no paraíso. Que estar grávida te faz iluminada e especial, que o pós-parto é um período de amor pleno, serenidade e alegria. Essa ideia equivocada contribui para que falar de sentimentos difíceis nesse momento se tornem um tabu.

A realidade?
Meu corpo sofre alterações bruscas e repentinas.
Minhas horas de sono são insuficientes.
Tenho receio de não despertar mais o desejo sexual.
Estou insegura.
Eu era “dona” do meu tempo e agora vivo em função do tempo do meu filho.
Sinto medo de não ter leite o suficiente para o meu bebê.
Meu filho chora e choro junto.
Até alguns dias atrás, todo mundo me cercava de atenção e carinhos e agora me veem e já perguntam: cadê o bebezinho?
Estou irritada.
Minha rotina agora é não ter rotina.
Será que conseguirei dar banho nessa criatura tão pequenina sem afogá-la?

Você pode se sentir inadequada por ter esse turbilhão de sentimentos, afinal, parece que nenhuma outra mãe passa por isso. Sua mãe, sua avó, a propaganda na TV e as matérias de revistas insistem em colocar fotos e reportagens sobre a plenitude de ser mãe, dando a impressão de que é um momento só de alegrias, tranquilo e fácil.

Resultado?
Além de ter que se adaptar com dificuldade a esse novo cenário e a todos os aspectos emocionais que isso envolve, muitas mães têm que lidar com a culpa por acharem que não deveriam se sentir assim, e passam por tudo isso sozinhas, com vergonha e medo de compartilharem seus sentimentos confusos, porque, afinal, só deveriam sentir gratidão e felicidade.

Essa confusão de sentimentos é muito natural. Vocês está feliz, grata e confiante e, num piscar de olhos, passa a se sentir sufocada, ansiosa, insegura, desejando que o bebê volte para dentro da sua barriga e se perguntando que horas é a sua folga.

Ufa, Alessandra! Estou aliviada em saber que tudo isso é natural!

Sim, é natural. Falar sobre seus sentimentos contando com o apoio da família e de amigos é fundamental nesse momento.

Porém, se os sentimentos desagradáveis são muito intensos e prevalecem a maior parte do tempo, fazendo com que você perca a alegria pelo nascimento do seu filho, é hora de dar mais atenção a isso.

As pesquisas apontam que 10 a 15% das mulheres sofrem de depressão pós-parto (ou puerperal). O diagnóstico não é diferente da depressão comum (insônia, ansiedade, alteração no apetite, falta de energia, perda do prazer, baixa autoestima, etc) mas envolve também desinteresse em cuidar do bebê, preocupação excessiva, medo de machucar o filho ou machucar-se.

Se você acha que está com depressão pós-parto, procure ajuda profissional. É possível cuidar disso e estar melhor nessa fase difícil.

Se você ouviu a vida toda que ser mãe é padecer no paraíso, considere também que existirão momentos que você pode padecer no inferno mesmo.


 Muito obrigada Alessandra por nos permitir compartilhar esse texto!

Fonte original – https://www.facebook.com/psicologaalessandracalbucci/photos/a.1587581798192341.1073741828.1583114425305745/1614029932214194/?type=3&theater

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