Morri como mulher

M. 1 filho,29 anos,dona de casa.

Nunca planejei ser mãe, nunca tive esse desejo,nunca fui fã número 1 de crianças. Estava namorando meu ex-marido há 7 meses e meio,eu o amava muito,mas desde o começo nosso relacionamento foi complicado: duas personalidades difíceis. Ele já tinha 4 filhos quando me conheceu,dizia ser vasectomizado e que as chances de ele ainda ter filhos era mínima. Comecei a tomar um contraceptivo por conta,mas não me adaptei e parei. Procurei um médico para pedir um outro contraceptivo e ele me pediu uns exames,aí veio a surpresa… Eu já estava grávida!Meu chão caiu com a notícia, eu não aceitava,me desesperei,desejei sofrer um aborto que nunca veio,passei a gestação inteira deprimida e revoltada. O então meu namorado se tornou meu marido:outro erro.O apoio e o carinho que eu precisava naquele momento nunca vieram.Em meio a uma gestação triste e turbulenta,meu filho nasceu.Grande,cheio de saúde, e tudo que eu temia veio de maneira ainda pior.Me tornei mãe em período integral,morri como mulher. Antes de engravidar eu era uma mulher cheia de vida:vivia bem vestida,bem maquiada,de salto alto…Tive que matar tudo isso,porque a maternidade me obrigou a matar meu lado mulher. Não tardou e o divórcio veio. Já não tínhamos mais vida íntima, até isso a maternidade me tirou…Tivemos um divórcio também turbulento.Hoje nos odiamos e continuo sem ter vida. Além de cuidar do meu filho,continuo sem poder me arrumar,continuo sem poder sair,continuo sem poder existir como mulher,enquanto a vida do meu ex-marido segue normalmente. Tenho muito ódio dele e me revolta muito saber que estou nessa situação, e ele numa boa,se cuidando,saindo,viajando…Minha luta diária é para conseguir levantar da cama,o desânimo é  constante e o fato de saber que passarei o dia dentro de casa,só cuidando do meu filho,sem sonhos,sem expectativas, tudo milimetricamente igual,me esgotam.A tristeza e a falta de esperança são constantes, além das críticas que recebo constantemente de minha mãe, que é a única pessoa adulta que convivo,e é de onde deveria vir o apoio. E assim vou sobrevivendo,mesmo sem querer.

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7 comentários Adicione o seu

  1. ana- disse:

    Cara, tudo bem que você não queria ter filho e aquilo tudo. Tudo bem mesmo. Mas você tem que saber criar o seu filho! Você acredita em um homem que diz ter feito vasectomia, e tem 4 filhas?!
    “Ah, mas ele pode ter feito a vasectomia depois da última filha!”
    Sim, pode. Mas e se não fez? Ele poderia ter feito vasectomia, mas e se tivesse AIDS? Você não pode se descuidar. TEM que usar camisinha, pra evitar QUALQUER tipo de coisa.
    “Mas a camisinha pode estourar.”
    Aí você usa uma também. Existem camisinhas femininas.
    “Ah! Mas aí não teria graça/prazer nenhum!”
    Então você faz uma cirurgia.

    O meu ponto é: Se você não gosta de crianças, e não queria ter um filho de maneira alguma, você deveria se prevenir de todas as maneiras. TODAS.
    Só não se cuidou. Tô te culpando? Não. Longe de mim!!!
    Mas você não pode culpar o SEU FILHO por uma coisa que aconteceu. Você não tem que dizer que ELE é um erro. O seu erro foi ter confiado na pessoa errada. E agora o seu erro está sendo não amar o seu filho. Isso afeta muito na cabeça de uma criança/adolescente (ou qualquer idade), eu sei disso porque estou passando por isso agora, e acredite ou não, eu só tenho 15 anos.

    Dias melhores virão. O seu filho vai crescer, você vai poder sair novamente, se divertir novamente, mas, por enquanto, cuida dele. Não queira que nas reuniões de classe ele fale que não gosta de você, ou que não quer falar de você, ou que você nunca deu amor a ele. Você tem que ensiná-lo a viver, se você não ensinar, a rua vai. O mundo vai. E não vai ser de uma boa maneira.
    Então, brinque com ele, converse com ele sobre TUDO abertamente, conte a ele como você se sentia antes de ele vir ao mundo e como você se sente agora, o quanto você mudou quando ele chegou, diga que ele é o amor da sua vida, porque às vezes isso faz falta. Dessa forma, ele vai crescer um homem. Ele vai ser o homem que o pai dele não foi.

    Se em alguns dias você fraquejar, ore/reze (não sei sua religião), e tudo vai melhorar. Você vai ver que, no futuro, todas aquelas noites em claro, todos os dias que passou sem tomar banho porque não teve tempo, todas as vezes que não fez as unhas, não teve tempo de sair pra se divertir, ou não teve tempo de se divertir em ocasião alguma, você vai ver que valeu a pena.

    Não fique triste por uma coisa que já aconteceu. Aconteceu. E agora o seu filho tá aí, precisando de carinho e amor, esteja lá quando ele precisar (em qualquer ocasião), brinque com ele. Enfim, esteja presente em todos os momentos da vida dele.

    E, no fim do dia, você vai ver que valeu a pena abrir mão de todas aquelas coisas.

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    1. Julieta Capuleto disse:

      Querida, gostaria
      1- arrependimento. Nao se culpe. Não adianta pensar agora sobre métodos. Eu sempre tomei cuidado e uma vez aconteceu. Você precisa aceitar a realidade. Até porque é comum engravidar sem planejar ou querer.
      A maioria das pessoas vivas hoje nasceu sem planejamento…

      2- guarda compartilhada. No início eu era contra. Mas hoje acredito que seja a ÚNICA maneira de dividir a responsabilidade.
      Eu cobro do pai do meu filho limpar fraudas, dar banho. Tudo.
      Ele diz: “eu nao sei” e eu respondo “eu também não sabia. Se eu consegui aprender você também consegue”.
      Você não fez seu filho sozinha. Faça o pai ser pai.
      Comecei a deixar com o pai para fazer reuniões curtas (sou autonoma). No início eu sofria muito, mas agora percebo que ter um pouco de tempo é necessário. Se eles podem a gente também pode!!
      Eu volto com mais energia e saudades do meu filho. Voltei para pós e agora saio com minhas amigas uma vez por semana. Fico três horas longe e pasme!! Meu filho fica bem sem a mãe. Sim! Chora no início mas depois se distrai. Deixo com o pai dele e falo “sei que você vai fazer o que for melhor. Qualquer coisa, me ligana hora. Daqui a pouco eu ligo.”
      Ligo várias vezes.
      A guarda compartilhada é ótima.
      Virei uma mãe melhor. E mais bonita. Eu estava deprimida e aos poucos isso me fez bem.

      3 – tudo passa!
      Imagine!! Use sua imaginação e peça para vida novos sonhos!! Imagine daqui a um ou dois anos seu filho lindo, na escolinha, você pode estar namorando com um homem incrível, com uma pequena empresa cheia de lucro. Imagine. Acredite.
      Nada fica como esta.
      Tudo pode melhorar.

      4- Converse com sua mae. Ela também não teve a vida perfeitinha, ela também te decepcionou em diversos momentos. É normal. Ela precisa ficar do seu lado. Faca ela aceitar a realidade.
      Certamente ela teve uma criação machista. E talvez você tenha a missão de abrir um pouco a cabeça dela com argumentos novos. Tente manter a calma e conversar com ela aos poucos.

      5- tente não falar mal do pai. Você precisa se desvencilhar da raiva que sente por ele. É difícil, mas esse sentimento faz mal a você.
      Vida que segue…

      6-você merece ser feliz. Você! Você! Você!
      Assim como seu filho merece ser feliz, você nerece tanto quanto ele.
      Sem culpa. Não importa o que você faça, alguém sempre vai te criticar. Então não dê tanta importancia a opinião alheia. Só você mesma pode se fazer feliz.

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  2. Melissa Lins disse:

    1. Seu ex-marido já pulou fora de uma relação com quatro filhos é pq responsabilidade não é muito com ele.

    2. Sua mãe não esta sabendo expressar o sentimento sobre a diferença entre o que ela esperava de vc e o seu atual momento. Mas mãe é mãe, como vc vai saber depois.

    3. Aí tem vc. Pelo visto, vc ainda acredita como muitas que ser mulher esta nos olhos dos outros. Nao tô dizendo q tem que embarangar, tem de virar do lar… tô dizendo é que neste momento isso não é prioridade. EXATAMENTE pq é um MOMENTO. Vai passar.

    Daqui a pouco o menino está maior, vc vai poder voltar a estudar, trabalhar. Vc vai fazer os arranjos pra conseguir isso. Vc vai conseguir se organizar p fazer uma unha, p ajeitar o cabelo. Mas agora a prioridade é cuidar desta pessoa REALMENTE recém chegada na vida que é seu filho.

    O problema com o seu marido é comum: ele nunca foi criado para ser servidor e sim cliente da casa, como muitos, MUITOS homens. Então, duas coisas: é até bom ele ter ido embora, pra quebrar o ciclo e não fazer do seu filho outro clientão. E ainda assim ele precisa cumprir com as obrigações dele, portanto seja mais e não o odeie. Ele é só mais um.

    Mas acima de tudo, ACIMA DE TUDO!, construa o amor seu e do seu filho. Vc não tem de se preocupar se pessoas que não te conhecem, não conhecem a tua história, não conhecem o teu potencial, estão te achando isso ou aquilo, te julgando. Estas pessoas não são parte da tua vida. Teu filho é. E vc trate de se tornar uma pessoa que se conhece, que conhece a própria história e o próprio potencial. E portanto pare de se machucar por não se saber. Se saiba!!!

    Abraços e melhoras.

    Curtido por 1 pessoa

  3. walenthinna Moritz disse:

    Te entendo amiga… Também sou infeliz, mais temos que ter força de vontade para sobreviver… Eu sonho em ser mamãe, mais ao mesmo tempo preciso ter um verdadeiro papai ao meu lado… Sou depressiva, preciso de carinho e atençao, é muito difícil a vida… Um dia queria te conhecer e te dar um abraço, temos aparentemente uma história de vida parecida… Se cuida, ame seu filho e fique com Deus… Abraços 😘😘

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  4. Soraia disse:

    Isso também vai passar. Calou fundo na minha alma o seu comentário Gabriela. Diz tudo.Obrigada!

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  5. elisamorales08 disse:

    Querida M,
    Muitas vezes eu chego ao fim do dia e percebo que não penteei os cabelos. Minhas unhas estão um bagaço a minha depilação definitivamentr não está em dia. É…a maternidade tem dessas coisas….
    Mas isso não é pra sempre. Seu filho vai crescer e aos poucos você vai poder retomar partes da sua vida que ficaram em segundo plano neste momento.
    Sei que deve ser ainda mais difícil quando a gravidez não foi planejada, mas tente ver esse momento como a oportunidade de se voltar para outras coisas, encarar a criação de seu filho como um novo projeto, um novo desafio en sua vida, algo completamente novo que você nunca fez. E se for possível, busque ajuda profissional para lidar com todos esses sentimentos ambíguos, um relação ao seu filho, ao pai dele e toda essa situação.
    E lembre-se: a mulher não precisa morrer para a mãe emergir. Não são papéis impossíveis de conciliar. É que nos primeiros tempos, o papel mãe acaba se sobressaindo….
    Força, mulher! Dias melhores virão!
    Um abraço.

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  6. Gabriela disse:

    Amiga, te entendo.
    Apesar de sempre querer ter filho, amar meu filho, também sinto que morri como mulher, meu casamento tb esta de mal a pior, indo pras cucuias, não tenho tantas perspectivas pro futuro, ando sem esperança.
    Enquanto nós mulheres ficamos por conta do filho, não saímos, os homens continuam com suas vidas como antes, saem com os amigos, nos deixam de lado, é realmente muito ruim.
    Sei que vc esta passando por um momento de luto muito grande, como eu tb, pois toda esperança de uma família perfeita q sempre tive, não aconteceu. Ele é necessário para nos despedirmos de certas ilusões que criamos e que a vida nos frustrou.
    Mas estou buscando ajuda na meditação, que nos trás para o momento presente e nos tira da angústia do passado e ansiedade pelo futuro.
    Não quero ser mais uma dessas palpiteiras que jogam fórmulas prontas e nos fazem sentir mais culpadas por ainda estarmos tristes pela vida que temos, mas se vc conseguir neste momento tente, pra mim esta ajudando a não ficar tão presa nos sonhos que desmoronaram, apesar de ainda me sentir bastante frustrada por várias coisas.
    Boa sorte na sua caminhada.
    Isto também vai passar.

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