Precisava desabafar

Um filho, estudante, 25 anos


Eu e meu marido vivemos sozinhos em uma cidade a 500 km de distancia de toda família, por isso, não pretendia ter filhos por enquanto, mas em um descuido, aconteceu… Quando minha gravidez passou de trinta e nove semanas começou a pressão para o nascimento da criança por parte da maioria dos familiares e essa foi a primeira vez que questionei minhas escolhas como mãe. Ali aprendi que mesmo após meses de pesquisa, qualquer coisa que me dissessem que me fizesse imaginar que poderia estar fazendo mal pro meu filho colocava tudo a baixo. O bebe nasceu quando eu estava com quarenta e uma semanas, num parto normal induzido. Induzido pelo meu nervosismo… resultado? meu filho foi pra UTI porque tinha dificuldade respiratória, o pulmão dele não estava pronto, por isso não entrei em trabalho de parto! E ele ficou lá, três dias na UTI, sem mim e tomando leite NAN. Só no segundo dia pode mamar no meu peito. Até agora não me perdoo por não ter controlado a ansiedade.
Ai começou minha frustração. Depois veio o puerpério, as cólicas, depois meu filho começou a recusar o seio, descobrimos o refluxo e agora faz vinte dias que acorda de hora em hora a noite e durante o dia só resmunga e quer colo. Eu estou desesperada! Meu marido faz tudo o que pode para me ajudar, mas trabalha a noite, dorme pela manha e a tarde fazemos almoço, tomo banho, descanso uma hora e quando vejo já está na hora de ele voltar pro trabalho. É muito difícil não ter ninguém da família por perto, nem que seja no final de semana, para ajudar com os afazeres da casa… Tenho algumas amigas aqui, mas não consigo pedir favores assim para elas. Me sinto sozinha demais, choro todos os dias, me irrito com facilidade, tenho medo de estar entrando em depressão… Hoje fui fazer prova da auto escola e só de sentar ao lado do avaliador fiquei em um nervosismo incontrolável! Rodei na prova e estou me sentindo um lixo. A unica coisa que tentei fazer de diferente em cinco meses fui um fracasso. E é desse modo que me sinto como mãe: fracassada. Não entendo porque só meu filho não dorme, só ele chora o dia todo, só ele não para brincando com os brinquedos sozinho enquanto eu faço outras coisas… Mês que vem acaba a amamentação exclusiva, eu volto a trabalhar e já choro só de pensar na introdução alimentar. Como vou cozinhar e dar comida pra ele, se não posso nem ir ao banheiro sozinha? É desesperador.
Precisava desabafar. Obrigada!

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6 comentários Adicione o seu

  1. elisamorales08 disse:

    Querida mãe….não é só o seu bebê que não dorme, não é só você que não consegue nem ir ao banheiro. Você faz parte de um grande exército de mães que passa por isso todos os dias. Por isso, fique tranquiila, você não está fazendo nada de errado e muito menos é um fracasso! Olha que benção, você amamenta seu filho exclusivamente até agora….coisa que não consegui e que sei que não é fácil. Portanto sei que você é uma grande guerreira. Confie na sua força, mas também peça ajuda (é um bom momento pra conhecer quem é amiga de verdade, não? Rsrsrs) Procure informações sobre como ordenhar/arnazenar seu leite para sua filha tomar quando voce voltar ao trabalho (se isso for viável pra você, claro) e formas de preparar papinhas que possam ser previamente feitas e congeladas. Não vai ser fácil, mas com o tempo você vai se organizar.
    Procure manter a calma….respirar….sei que não é fácil (tenho um bb de 3 meses), mas vai dar tudo certo. Confie.
    Um grande abraço.

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  2. Leilane disse:

    Mãezinha, voce não está sozinha. Quando a gente passa por isso parece que todas as mães estão bem, só nos estamos perdidas e desesperadas! Eu sei que é muito dificil, quando mexe com nosso sono, nossa alimentação etc.Mas mantenha a esperança e a calma, na medida do possível. Peça sim, ajuda para quem estiver perto, chame uma amiga pra ficar com voces, olhar o bebe só enquanto voce toma banho ou se alimenta. Também comece a estimulá-lo a brincar sozinho, entreter-se…não precisa correr no primeiro choro…ah! e procure ajuda do pediatra e da sua ginecologista, conte como voce se sente. Se possível, saia pra caminhar, deixe o bebe um tempo com o papai pra vc ter um momento seu de lazer, que é imprescindível…Eu sei, falar é fácil, mas daqui a pouco, bem aos pouquinhos, você vai conquistar algumas vitórias… mais e mais… esperança!

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  3. Marcia disse:

    Olá anônima! Tenho um filho de 11 meses e meio. Passei pelo mesmo que você. Apesar do filho ter sido planejado, depois de 8 anos de casamento, eu com 33, meu marido com 41, Miguel chegou e nos vimos sozinhos longe da família, com poucos amigos que eu também não queria incomodar!

    Tive depressão pós parto e só aceitei isso quando Miguel estava com 3 meses e meio, ou seja, passei quase toda licença maternidade odiando aquela situação e com muita raiva de ter de abrir mão da minha antiga vida! Mas comecei o tratamento e rapidamente melhorei, o cansaço e as frustrações não vão embora, mas consegui lidar melhor com a situação e ter mais paciência com o bebê.

    Te digo que cada fase tem o lado bom e o lado ruim! Tem dias que dá vontade fugir, é muita coisa para administrar, mas com o tempo fui aprendendo a lidar com tudo e creio que tu também vais conseguir. Procura ajuda de um psiquiatra e conversa com ele! Tu não é a única a sentir isso, te garanto! Aquela magia que aparece nos filmes NÃO EXISTE! A vida real é bem diferente ninguém tem coragem de admitir que é foda!

    Força e procura ajuda.

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  4. Simone Bueno disse:

    Entendo e sinto muito pelo seu desespero, mas eu passaria por tudo isso sorrindo e feliz se estivesse com meu filho nos braços… quando passamos por uma perda gestacional as outras situações que poderiam nos acontecer no puerpério parecem que não são nada e pra mim o que você está passando não é nada perto da dor da perda…
    Você não está sozinha, você tem seu filho e esse é o motivo maior pra aquietar a mente, abrir um belo de um sorriso e perceber que você tem a força pra passar por isso com gratidão! Dê seu colo a seu bebê todo tempo que ele quiser, ele precisa de você e vc é forte pra isso!

    Força, luz e amor pra vc! ♡

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  5. Sabrina disse:

    Você está narrando praticamente o que aconteceu comigo, inclusive a prova da auto escola. Mãe é um bicho que nasce com dúvida e culpa pra dar e vender e infelizmente a nossa sociedade atual não ajuda em nada na gestação, parto e puerpério.

    Eu tive uma cesária desnecessária por ansiedade, não consegui amamentar por ansiedade, estava longe da minha família e perto da família do marido o que ocasionou também um choque de culturas familiares.

    Calma, juro que passa.

    Tudo o que você está sentindo e vivendo é normal mas nem por isso deve ser ignorado. Venderam pra gente que temos que ser super mães e super mulheres mas isso é mito e mentira. Alguns fatos que eu pensei nestes 4 anos de maternidade (2 gestações e 2 puerpérios seguidos):

    1. Os primeiros 3 anos da criança são essenciais, mas elas precisam de muito pouco para serem felizes e em geral elas só guardam as coisas boas. Você está fazendo o seu melhor e seu bebê sabe e aprecia isso.

    2. Você não precisa dar conta sozinha. Nem emocional, nem fisicamente. Se você acha que sua mãe deu conta sozinha pense de novo. A gente não lembra das coisas que davam errado para nossas mães, e pode acreditar elas erraram também.

    3. Peça ajuda para as amigas, mesmo que elas não estejam na mesma fase que VC, dê a chance delas praticarem o amor e também de aprender para quando elas forem mães. Eu as vezes não tenho coragem de pedir diretamente aí jogo num grupo de whatsapp ou faço um apelo no face. As vezes uma companhia já é estímulo suficiente para eu dar conta da louça ou da roupa.

    4. A depressão não é que nem infecção que chega dá febre a gente medica e passa. Ela chega e aos poucos tira a cor de tudo. Procure ajuda profissional, quanto antes melhor. Puerpério não é fácil, mas a gente não precisa sofrer sozinha.

    5. Você está fazendo o seu melhor e cada dia você vai se sentir mais preparada. Acredite, olhe seu bebê aprendendo tudo a cada dia e tenha fé de que as coisas vão se encaixar. Um dia de cada vez.

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  6. Ana disse:

    Querida , sinta-se abraçada!
    Acredite, isso tudo vai passar…
    Também passei (e ainda passo)muitas noites em claro com minha filha.
    Procure um tratamento para o refluxo, mas do resto você vai ver que com calma vai dar certo.
    A introdução alimentar deve ajudar a reduzir as mamadas, mas não coloque muita pressão nesse momento. Se ela não pegar desde o início, tudo bem…
    A minha filha só foi comer bem lá pelos 8 meses, se o desenvolvimento está normal, tá tudo certo. Cada bebê tem seu tempo.
    Procure ficar calma, ache um momento pra fazer alguma coisa que goste, nem que sejam 5 minutinhos…
    Vai dar tudo certo!
    Boa sorte!!

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