Juliana Venezian

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Juliana Venezian é Psicanalista (Formação Fórum do Campo Lacaniano), Psicóloga – IPUSP

Clínica com Bebês, autismo e primeira infância

Retaguarda Emocional na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo


 

Olá meu nome é Juliana Venezian. Sou Psicanalista.

Isso não diz muito, mas ao mesmo tempo diz (e diz coisas com as quais não me identifico não), por isso prefiro escrever de que psicanálise estou falando.

Trabalho com uma escuta que faz advir o sujeito. Que sujeito? Meu sujeito aqui não é o sujeito da ação, nem o da oração. Então não faz, não tem predicados. Sujeito não tem idade, sexo, classe social, diagnóstico, nada disso, até porque o sujeito aparece como efeito de linguagem, então é impossível dizer “o sujeito é”. Ele simplesmente surge, vive, e do jeito possível de viver.

E como é bom viver. Só viver, sem julgamentos, sem expectativas, sem ansiedade. Parece férias né?

Férias sim. Férias das cobranças, férias da auto-estima, férias da dor.

Mas férias só é férias porque tem os dias de trabalho. Quem não tem emprego diz que não tem férias, só tem tédio, aflição, marasmo. Então para viver férias, para aparecer o sujeito é pré-condição sim ter um emprego. Mãe, esposa, mulher, brasileira, neurótica, ansiosa, filha, irmã. Esses são nossos empregos, alguns dos meus pelo menos. E estes empregos dão trabalho e fazem sofrer.

Mas que emprego não faz? O problema é que em alguns momentos o trabalho que eles dão é tanto, que ainda que seja prazeroso e gostemos muito deles, o sofrimento fica insuportável. E o empregado adoece.

O doente pode tratar-se com remédios, exercício físico, dieta, meditação, choques, cirurgia!! Mas talvez se tivesse tirado férias, não teria chegado a este ponto, voltaria ao trabalho com novas idéias e novos propósitos, afinal quando a gente tira férias vive aventuras, conhece lugares, abre a cabeça.

Pra mim é isso que a escuta proporciona, viver o novo, criar um referencial, um paradigma, abrir a cabeça para realizar meu trabalho de viver de forma mais sábia e serena.

Mas para acontecer esta escuta que nos ajuda a tirar ‘férias de ser’ é preciso um pedido endereçado, uma demanda de alguém que está em sofrimento.

Na minha história então escutei sim os que tem seus empregos de crianças, mulheres, esquizofrênicos, e até autistas e bebês. Sim mesmo a estes empregados que não falam é possível escutar, afinal a gente não se dirige ao outro somente com palavras, mas também com gestos, olhares, chorinhos.

Qualquer empregado sofre, o emprego de bebê é bastante trabalhoso, o de mãe então…Ainda mais porque há grandes expectativas de alta performance sobre esta profissão de fé: ser Mãe

Para disputar a vaga está lá: Seja carinhosa, adivinhe os pensamentos do seu bebê, saiba quando ele está com fome, com sono. Se deleite com o

amamentar, é ‘amor líquido’, suporte o choro, as noites sem dormir, o corpo que mudou, o luto da menina que foi, da filha que foi, da bebê que foi. O luto do casal sem filhos, da vida de solteira, do trabalho sem preocupações com a hora de chegar, com quem vou deixar…

E padeça no paraíso.

Alta performance.

Estão todas em Burnout! Precisam de férias. Nem que sejam mini férias. Daí depende do estado da empregada mãe. Em alguns casos será importante um SPA, (uma análise semanal, um intensivão com equipe multi de saúde), em outros uma saidinha para o café já ajuda demais, já alivia o estresse, ou pelo menos dá o gostinho do que é uma folguinha e a empregada estará pronta para pedir férias, para pedir um tratamento.

Percebem que enfatizo aqui a importância do sofrer com, do dirigir o seu sofrimento a alguém que possa escutar. E escutar não é ver, nem observar, nem medir, nem avaliar. Escutar é fazer falar, o clássico ‘falar mais sobre isso’.

Por isso ‘Temos que falar sobre isso’. Oferecer o cafezinho, um espaço de fala endereçada que abrirá uma portinha, uma frestinha por onde novos ares começarão a passar.

Para mim o temos que falar sobre isso significa: temos que pensar nas férias, temos que viver e somente viver um pouco, e voltar ao nosso trabalho de ser mãe mais criativas, descansadas e empoderadas.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Alessandra Arrais disse:

    Excelente Juliana! Adorei seu post, você escreve muito bem! E cheguei a conclusão que estou precisando de férias!!!!

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