Ele fez de mim, MÃE

Aline dos Reis, 29 anos, 1 filho


3 Meses de luta
Tudo começou com 2 risquinhos na cor azul em um palitinho no dia 18/03/2015. Um misto de emoções, medo, felicidade, uma confusão de sentimentos. Fiz todo pré natal pelo SUS e pra ser bem sincera, a médica que fez meu pré natal é excelente, não tenho nada do que reclamar.
As semanas e meses se passaram e um imenso amor pelo meu presentinho surpresa nasceu e só fez crescer. Saber que eu esperava um menino só aumentou minha alegria, o nome todo mundo já sabia: Pedro.
Fiz muitos planos para sua chegada, eu já não imaginava mais minha vida sem ele. Com 28 semanas, resolvi fazer uma ultra sonografia tridimensional pra ver seu restinho (em todas as ultras ele escondia o rosto), com 29 semanas, no dia 09/09/2015, fui realizar o exame e mais uma vez ele colocou a mãozinha no rosto, impossibilitando a visão do seu rosto. O exame foi remarcado para o dia 18/09/2015, estava ansiosa para vê-lo até que um série de perguntas seguido por um longo silencio invadiu o consultório. Cheio de cuidado o médico me disse: “seu bebê foi a óbito com 30 semanas”. Meu mundo caiu, entrei em choque! Fui imediatamente para uma unidade de saúde. Fui atendida por uma médica super grossa, totalmente insensível. Fui internada e no dia seguinte, dia 19/09/15, às 11h30 começava o processo de indução de parto normal. Uma tristeza sem fim estar naquela sala de pré-parto junto com outras mães que dariam a luz a seus bebês vivos. Cada bebê que nascia, cada chorinho que eu ouvia, era mutilador saber que meu filho não ia chorar. Às 03h54 da manhã do dia 20/09/2015, meu filho nasceu numa sala de pré parto diante da curiosidade de um monte de gente, coberto por um lençol. O levaram sem me deixar vê-lo. Uns 20 minutos depois fui levada pra sala de parto e só então pude vê-lo. Não me permitiram pegá-lo no colo (a enfermeira julgou melhor eu não pegá-lo, decidiu por mim. Não respeitou a minha vontade). Me mostrou meu filho e lá estava ele, lindo! Perfeito! Um anjinho. Após o parto era como se eu não existisse, não consigo descrever como me senti. Peguei meu filho  pela primeira vez dentro de um caixão. Desde então, sobrevivo aos dias da melhor maneira possível. É incrível como esse luto não é reconhecido, difícil ter que viver um luto em silêncio, difícil ouvir as pessoas falarem que sou jovem, que terei outro filho, difícil perceber que  as pessoas estão fugindo de você. É incrível como o fato de você voltar a fazer as coisas do cotidiano faz com que as pessoas imaginem que você esta bem. Odeio quando dizem: “você ainda vai ser muito feliz”. Como? Como ser feliz diante da perda de um filho? Me sinto devastada, mutilada, amputada.
Sinto que minha vida jamais será a mesma. Pedro me ensinou o maior amor do mundo. Fez de mim uma pessoa melhor, uma mulher mais forte e corajosa. Ele fez de mim, MÃE.

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