Diário de dois pequenos grandes guerreiros

Jaqueline Domezi, 01 filho, Assistente Social e Doula, 29 anos


Relato iniciado aos 07/03/2015 com continuação aos 08/11/2015
Por Jaqueline Priscila Gonçalves Domezi, 29 anos
Santa Bárbara d’Oeste/SP
RELATO VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA
Quase um ano… continua muito difícil assistir um parto na televisão… Tento ser forte, reluto com meus sentimentos, mas não consigo, as lágrimas rolam. Não vem ao caso comentar da minha gestação, que para mim, foi tranquila e tomando todos os cuidados além de necessários.
Na minha última consulta de pré-natal foi numa sexta-feira, propusemos a médica cesariana PARTICULAR, uma vez que ela dizia que seria difícil parto normal, pelo bebê ser grande, porém pediu para esperar passar o final de semana, assim completaríamos as 40 semanas no domingo e foi “justo” nesse dia que meu bebê resolveu nascer e tive que ser atendida pelos médicos de plantão de um hospital particular, porém vaga de SUS, assim como foi o meu pré-natal e muito bem acompanhado!
As dores foram aumentando conforme a madrugada ia indo embora e o dia nascendo, eu e meu marido monitoramos as contrações por mais de três horas, até que foram intensificando e diminuindo o espaço de tempo. E como são doloridas as contrações.
Entrei no único Hospital da minha cidade natal, Santa Bárbara d’Oeste/SP, com as cinco badaladas do sino, que alegria, meu bebê ia nascer naquele dia. O dia que ele escolheu. Às 6h30 o médico pediu minha internação, colo estava fino, bebê ia nascer. Foi a única coisa que ouvi de sua boca após o cardiotocografia e exame de toque.
Eu era a segunda gestante, a primeira era uma adolescente de 15 anos, assustada e sozinha. Logo em seguida entrou uma outra aos berros dizendo que o bebê ia nascer. Éramos três gestantes em trabalho de parto em uma sala pequena, na qual nos disseram que não poderia ficar com acompanhante, pois seria constrangedor.
Às 7h uma enfermeira entrou, pela sequencia, disse que ia colocar as três no soro. Eu questionei, não queria, confesso que estava com medo, sonhei muito com parto normal… Tentei em meio as fortes contrações seguidas a convence-la que não queria o soro antes de falar com o médico, porém respondeu-me que era procedimento médico, que logo meu bebê estaria nos meus braços… Pedi para falar com ele, disse que logo viria. E demorou mais de uma hora para aparecer, deu tempo do bebê da última gestante nascer, recordo-me dos seus gritos – Está nascendo, está nascendo!!! E nenhum profissional junto ou por perto. Quando a enfermeira veio já estava com a cabecinha saindo e aos gritos chamou pela outra enfermeira, ele nasceu ao nosso lado, deixando a adolescente mais assustada ainda.
Às 8h a mesma enfermeira que me colocou no soro, retornou, dizendo que conversou com a doutora, a mesma pediu lavagem anal e em seguida eu ia para o banheiro e no chuveiro, assim ajudaria aliviar as contrações e na dilatação.
Pedi por meu marido, mas foi negado. No banheiro, não tive privacidade nenhuma, por três vezes entrou duas funcionárias da limpeza.
Após uma hora voltei para a cama e as fortes dores e lá fiquei. A doutora apareceu, não quis dialogar comigo, disse que bebê grande não necessita de cesárea e que cortar minha barriga cheia de estrias não seria o ideal. Fez exame de toque e apontou para enfermeira pegar algo em cima de um armário próximo ao banheiro. Falou bem baixinho “– Colo fino…”. E em meio a uma contração, estourou minha bolsa com agulha e pediu para eu fazer força puxando o ferro chumbado na parede da cabeceira da cama. E foi assim por vários minutos… pedindo para eu fazer força de coco, defequei varias vezes, eu dava o melhor de mim, mas nada do bebê nascer. Pediu para a enfermeira chamar o outro obstetra urgente, pois teria que forçar minha barriga.
Quando ele chegou, pediu para mudar de quarto e em meios a dores e com o soro fui caminhando para deitar naquele equipamento horroroso, mesa cirúrgica para parto (litotomia). No percurso ouvi nitidamente ele dizendo para a médica: – Está com pressa, quer que todos os bebês nasçam antes do almoço. Alguém respondeu, que um já tinha nascido sem trabalho algum. Que faltava eu e o da adolescente.
Na outra sala, pedi algumas vezes para chamar meu marido, ela respondeu que não, pedi então para alguma enfermeira pegar a máquina fotográfica com ele, ela respondeu grosseiramente que eu teria todo tempo do mundo para tirar fotos do meu bebê. Porém, eu jamais teria esse momento de volta…
Quanto ao meu marido, ficou desesperado lá fora, havia dito que ele entraria, pois logo o bebê nasceria. Com a demora, bateu na porta, foi atendido por uma enfermeira que pediu para aguardar. O tempo passou novamente, apertou a campainha diversas vezes e ninguém o atendeu…
Hoje sei que sofri vários tipos de VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA (termo este que só fui ter conhecimento depois do ocorrido e através de mero acaso, pela internet) por parte de uma médica muito conhecida em minha cidade natal e considerada por muitos, muito experiente, afinal seu CRM é desde 1980, são 35 anos de atuação, não consigo dizer de experiência. Enfim, meu bebê foi “aquele bebê, aquele UM em 100”, que necessitou da assistência mais especializada possível a ser dada no primeiro minuto de vida. Meu bebê teve o “golden minute”, o minuto de ouro, naquele plantão havia uma pediatra com experiência em UTI neonatal. Não ouvi meu bebê chorar, não tive meu bebê nos braços, não tive o momento registrado por fotos. (isso me dói muito, sonhei e imaginei tanto como seria esse momento).
Meu parto, o tão sonhado, foi totalmente violentado, parto normal induzido e forçado, sem permissão do meu marido para me acompanhar, sem direito de escolher a melhor posição em trabalho de parto e para parir, ocitocina via intravenosa sem meu consentimento, lavagem anal, rompimento da bolsa com agulha pela obstetra, meus pés encobertos com panos mesmo eu recusando. Ouvi inúmeras vezes aos gritos para fazer força de coco, para fazer a força certa, caso contrário ia estourar veias dos meus olhos, enquanto ela empurrava minha barriga com seus braços e enfermeira empurrava do lado esquerdo, a outra segurava minhas pernas e o médico esperando o bebê. Eu sentia tanta dor, tentava fazer tanta força que meu corpo ia para frente ao puxar a perneira, tudo girava, parecia que eu desmaiar. O mais doloroso foi ouvir da médica – Depois seu bebê vai para a APAE e a culpa é minha (….).
Às 10h55, meu bebê nasceu, não chorou, fiquei imóvel, assustada, ouvindo os cochichos, observando o corre-corre, achei que ele tinha falecido. Quanta dor psicológica e física, não me contive e tive que gritar de dor ao receber os pontos da episiotomia e introdução anal da hemorroida e ouvir que é um procedimento normal.
Após longos minutos sem ter nenhuma notícia, apenas que o bebê estava bem e clamando pelo meu marido, saiu uma mulher e uma criança do berçário, passou ao meu lado e ouvi nitidamente um dialogo, que me fez entrar ainda mais em desespero: “- Mamãe, aquele bebê ruivinho nasceu com problema?!” Eu sabia que meu bebê era ruivo, pois a medica havia dito. Eu percebia pelas expressões das enfermeiras ao cuidar de mim, todas assustadas. Até que questionei uma e ela me disse que realmente meu bebê estava em estado grave.
Meu marido veio junto com a médica pediatra, por sinal, essa sim é humanizada. Me explicou que no momento do parto passou a cabeça e não passou o corpo (distocia de ombro), faltando oxigênio no cérebro, estava desfalecido, foi reanimado e entubado, necessitando ir direto para o berçário. Ele é um bebê anoxiado grave, sua nota Apgar O (zero) e depois de 5 minutos 4 (quatro).
Não pude vê-lo, fui levada para o quarto, recusei ficar no mesmo quarto com a mãe que teve seu bebê ao meu lado. Gritei, chorei, implorei, mas nem eu e meu marido fomos ouvidos. Enfermeira pediu para eu ficar só um pouco para ela se organizar, pois estava tendo troca de plantão naquele momento. Sem forças, com dores e aos prantos, tive que aceitar e buscar força no meu marido e em Deus. Quanta tortura por não ter meu bebê junto de mim e ter que ficar observando, ouvindo outro bebê. As horas foram passando e nada… Tentei ser forte, aquela mãe se compadeceu da minha dor e se uniu a mim. Me ajudou muito psicologicamente quando não tinha meu marido e meus familiares, pois só foi permitido estar comigo no horário de visita.
Nas três primeiras horas de vida do meu bebê respirou com auxílio de aparelhos (entubado), após necessitou ficar no capacete de oxigênio, saturação, batimentos cardíacos e temperatura (hipotermia) eram muito baixos. Quase a completar 24 horas do nascimento teve algumas convulsões e infecção generalizada, foi sedado, precisou de sonda gástrica e sonda de alívio urinária, necessitando ser cadastrado na Central de Vagas do Estado de São Paulo para um leito de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), no hospital não há esse tipo de atendimento.
Todas as médicas pediatras deixaram bem claro que o que aconteceu com nosso bebê resultaria em alguma sequela, ocasionada pela a falta de oxigênio e só o tempo diria qual, mas queriam vê-lo correndo pelos corredores do hospital.
Era doloroso vê-lo agitado, tinha fome, mas não podia mamar, depois foi mais doloroso vê-lo sedado, com aqueles aparelhos que apitavam e ver os números caindo. Na terça-feira, ouvi várias vezes de uma pediatra, que meu bebê era uma bombinha relógio que podia explodir a qualquer momento, porém a vaga seria muito difícil pelo Estado priorizarem bebês prematuros. Haviam conseguido uma vaga na cidade de Araçatuba, porém muito distante para transferir um bebê anoxiado e naquela situação grave. Na madrugada, uma vaga em Jundiaí, porém não houve mais retorno.
Na quarta-feira, por interferência da diretoria, foi disponibilizada a vaga na cidade vizinha, Hospital particular São Francisco – Irmandade de Misericórdia, em Americana/SP. Houve um momento de muita emoção entre as duas pediatras, a que cuidou dele no momento de nascer e a que dizia que ele era uma bombinha relógio.
Na quarta-feira, no horário do almoço, foi transferido de ambulância com paramédico e enfermeira, não pude estar junto, era uma transferência de alto risco. Eu e meu esposo fomos acompanhando com nosso carro ao som da sirene… A transferência ocorreu tudo bem, seu estado era estável, teríamos que acostumar com essa palavra e que não tinha previsão de alta. Visitávamos duas vezes ao dia, 30 minutos de manhã e à tarde, eram momentos de muita emoção e oração.
No sábado, tivemos uma boa noticia na visita da manhã, nosso bebê iria para o quarto, teria alta da UTI, porém uma notícia totalmente DOLOROSA, na visita da tarde: uma pediatra intensivista, desconhecida por nós, nos viu rezando, se aproximou dizendo que teríamos que se unir muito enquanto casal, que nosso amor teria que se fortalecer para poder cuidar do bebê, perguntou-nos se algum dos médicos havia conversado conosco detalhadamente, respondemos que não, que somente falaram que poderia ter sequela, pegou a caderneta de vacina, olhou o Apgar Zero, falou e mostrou conforme abaixo, não esqueço jamais:
“O Apgar do bebê de vocês é zero, para mim ele não tem pega (pegava na mãozinha), não tem sucção (colocava os dedinhos de uma luvinha como chupeta), não segura a cabeça (sentou-o), pode ser que precise de cadeira de rodas, de traqueostomia, de gastro, necessite tomar medicamentos para o resto da vida… vocês precisam fazer um plano de saúde urgente, vai precisar de neuropediatra, de fonoaudióloga, de fisioterapia… não aceitem diagnóstico nenhum antes dos dois anos de idade, antes disso o cérebro está em formação…”
Terminou dizendo que ia fazer a transferência para o Hospital em Santa Bárbara d’Oeste ainda naquele dia, só não faria se piorasse, eu pedi várias vezes nas duas visitas para fazê-la no dia seguinte, não disse a ela, mas me preocupei com meu esposo, em passar o final de semana sozinho, principalmente depois de toda aquela explanação médica, achei que ele ficaria relembrando de toda sua fala, eu sabia que meu bebê estava sendo bem cuidado e naquele momento de dor emocional eu queria estar sendo a fortaleza para meu esposo, como também pensei em mim, lembrava-me dos momentos de dores emocionais que passei justificando para todos os profissionais que entravam em meu quarto, dos motivos que meu bebê não estava comigo, do que tinha acontecido ou porque não estava amamentando, sem pensar muito que encontraria com a médica responsável por tudo que aconteceu conosco, aquela que fez o parto forçado. Insisti tanto até que me disse que tinham apenas dois leitos de UTI neonatal para o estado de São Paulo inteiro e faria sim a transferência, além de que ela estaria de plantão para recebê-lo.
Aquele dia que era para ser de alegria ímpar, meu bebê não tinha previsão de tempo de permanência na UTI, poderia ser semanas ou mês, porém foi um dia de tristeza e de muitas lágrimas, jamais pensei que uma gestação muito bem cuidada resultaria em tanta dor e sequelas em uma vida tão inocente a tudo.
O dia terminou, domingo chegou e fomos visitar nosso bebê, outra médica estava de plantão, informou-nos que ele não teve pioras, que achou por bem fazer a transferência no dia seguinte, achando que a Assistente Social do Hospital conversaria conosco.
Um momento muito especial e de insegurança tive que vivenciar, ela permitiu colocar nosso bebê para mamar em meu peito, a enfermeira disse que seria em média 40 minutos, ele sugava com tanta força, devia estar muito faminto, mamou durante 35 minutos. Sim ele tem sucção.
Segunda-feira, nova médica de plantão, disse não ter conseguido falar no Hospital, permaneci com meu bebê, após o almoço perguntou se eu preferia voltar para o Hospital da minha cidade ou gostaria de ficar interna lá? Sem duvidas, sem pensar e sem questionar, disse que queria ficar. Fiquei 24 horas com meu bebê, num quarto só nós dois, quanto rezar e aprender. Ele estava cheio de fios em seu bracinho ligado em aparelhos medindo seus batimentos, injetando antibiótico e anticonvulsivante, soluçava todo o momento e chorava muito ao ser tocado…
Em seu nono dia de vida, a pediatra entrou no quarto logo pela manhã, examinou-o e disse algo que me fez chorar e dar graças a Deus – Mãezinha, vamos para casa? Já podem ir para casa com seu bebê.
Explicou que ele teve rápidas melhoras e que seu antibiótico havia terminado, por precaução manteve o anticonvulsivante e pediu para levá-lo ao neuropediatra o mais rápido possível. Assim o fizemos e continuamos.
Após um mês do meu parto, meu marido me contou que no terceiro dia no hospital, a médica entrou no quarto ao vê-lo, eu estava no banheiro, sem ele questionar nada, disse na frente da outra mãe internada, que tudo o que ocorreu com o nosso bebê foi porque eu não fiz força suficiente para ele nascer. Foi um momento muito doloroso para mim e ainda é, ela me culpou, quis se livrar, foi antiética, sem moral, não reconheceu seu erro. Hoje é doloroso ver essa profissional pelas ruas, na mídia como sendo a “queridinha”, porém mais doloroso ainda é ouvir relatos de outras mães…
Quanto ao meu bebê, todo o meu tempo de licença maternidade e férias, foi dedicado a estímulos e aos cuidados redobrados. Antes de completar seu segundo mês de vida segurou e balançou um chocalho, levantou a cabecinha ao ser colocado de bruços. Com dois meses de vida fez exame na cabeça – eletroencefalograma, resultado normal, suspensão do anticonvulsivante. Com quatro meses nasceu seu primeiro dentinho, com cinco meses começou a querer brincar sentadinho e sem encosto. Aos seis meses demonstrou satisfação ao ser segurado em pé e balbuciou algumas sílabas. Com oito meses começou a sentar sozinho e engatinhar. Com nove meses já fazia gracinhas e “cumpria ordens”, ficava de pé apoiando-se. Com 11 meses e meio gosta de dançar, bate palmas, manda beijinhos, dá tchau, pisca os olhinhos, reconhece o pezinho e “penteia” seu cabelinho quando solicitado.
É uma criança muito risonha, curiosa, brincalhona e demonstra ser muito feliz, seu desenvolvimento psiconeuromotor está adequado para o seu tempo de vida. Se tiver sequela descobriremos quando iniciar sua vida escolar, dizeres da pediatra.
Para nós, pais do primeiro filho, tudo é muito novo e de grandes aprendizagens, somos mãe e pai de uma criança muito mais que especial, temos um pequeno grande guerreiro, que lutou e venceu uma triste batalha para alegrar nossos dias, a nossa vida e aumentar ainda mais a nossa fé em Deus e me motivar a levantar a bandeira contra a VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA.

Continuação 30/07/2015

Após completar seu primeiro ano de vida, tive coragem de solicitar uma cópia do prontuário médico, quanto chorar ao ler a palavra RESSUSCITADO. E que triste por não ter nenhum carimbo da médica que nos desrespeitou, abusou e negligenciou. Procuramos assessoria jurídica, porém os advogados não deram certeza de ganho de causa, pois até o momento não teve sequela, uma vez que a violência obstétrica no Brasil não é crime e a médica tentaria se defender a qualquer custo. Não prosseguimos.
Não queremos indenização financeira, mas sim que seja culpada de alguma forma para que isso não ocorra novamente. Tenho relatos de outras mães que foram desrespeitadas, abusadas e negligenciadas depois do meu parto pela mesma médica e outros profissionais também.
No mês de março/15, no Dia Internacional da Mulher, me uni ao Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, para participar da Caminhada contra a Violência a Mulher, com recurso próprio distribui um simples panfleto divulgando a Violência Obstétrica. Tentei parceiras com a Secretaria de Saúde para futuras campanhas, porém os coordenadores não demonstraram interesse em abraçar a causa.
Devido ao Brasil ter que reduzir o número de cesáreas, no mesmo mês, um vereador fez um projeto de lei Incentivando o Parto Normal. Ao ler no jornal local, me deu um desespero que no mesmo dia da votação na câmara entrei em contato e fiz com que a votação do projeto fosse adiada por uma semana, nesse tempo realizamos reunião para expor os motivos, o vereador autor não compareceu e mesmo assim o projeto foi para ser votado novamente e lá fui eu com mais 03 doulas e 03 mães protestarem contra o projeto, todas com o mesmo receio de aumentar a Violência Obstétrica por ter que cumprir a meta do parto normal. Fomos ouvidas e o projeto está sendo reformulado. Somos a favor do PARTO HUMANIZADO, independente se for normal ou cesáreo.
Quanto ao meu filho, com um ano e dois meses começou a andar, é uma criança inteligente, curiosa e inquieta, por ele estou sendo ATIVISTA no assunto, divulgando a Violência Obstétrica como forma de empoderar gestantes, mães, familiares para que tenham um parto digno, pois uma vida que se inicia não merece ter um nascimento traumático.
A luta continua, pois JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!!!

Continuação 04/10/2015

Aos 23 de setembro de 2015, das 14h às 15h20, realizei voluntariamente, um bate-papo sobre Parto Humanizado e Violência Obstétrica numa entidade de Assistência Social. Presentes 15 gestantes e 7 ouvintes.
Foi uma tarde diferente, fui ouvida e ouvi, principalmente relato de maus tratos das que já são mamães.
Sai de lá mais motivada a continuar semeando a Humanização do Parto.

Futura mamãe
“És especial entre as mulheres
Uma luz diferente brilha em seu olhar
Tens um ventre abençoado
Uma nova vida estás a gerar
É preciso se preparar
O grande momento irá chegar
Que tudo esteja organizado
E que seja Parto Humanizado!”

Jaqueline Priscila Gonçalves Domezi
Ativista em Parto Humanizado e
Contra a Violência Obstétrica

No dia 29/09/2015, uma surpresa, fui aprovada pela Unicamp, cidade de Campinas, na segunda turma deste ano para fazer o Curso de Extensão de Formação de Doulas Comunitárias/Voluntárias, total de 40 horas, gratuito. Que alegria! No começo do ano pesquisei o curso, porém só em São Paulo, em média R$ 1.500,00, porém jamais deixaria meu bebê dormir sem mim.
Setembro foi concluído com alegrias e outubro começou com concretizações, no dia 1º tive que me encher de coragem, demorei duas horas para me decidir e me empoderar, tive uma breve fala com o Prefeito, no qual citei a Violência Obstétrica e ele se propôs em ler meu relato de parto, espero conseguir ser ouvida por ele e que ele abrace essa bandeira.
Dias 02 e 03 – curso de doulas, quanta informação, quantas ideias para sugerir e colocá-las em prática, quantos contatos. Estou amando!
“O que significa “doula”
A palavra “doula” vem do grego “mulher que serve”. Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres e acompanhantes antes, durante e após o parto, para serem protagonista de seu parto, evitando a Violência Obstétrica. Não realiza qualquer procedimento médico e não substitui profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto.
As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
• diminuir em 50% as taxas de cesárea
• diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
• diminuir em 60% os pedidos de anestesia
• diminuir em 40% o uso da ocitocina
• diminuir em 40% o uso de fórceps”.
No segundo dia foi abordado sobre a Violência Obstétrica, quanto se emocionar, não me contive e partilhei o meu parto. Conheci uma advogada doula, conversei com ela durante o café e sem ouvir meu relato, disse que não compensa entrar com uma ação judicial, pois acompanhou uma mãe num caso 90% parecido com o meu, a mãe desistiu, pois se sentiu muito humilhada durante o processo. Ela chorou muito mais do que no dia do parto (sic). O que temos a fazer é denunciar e empoderar o maior número de mulheres que pudermos. Então, que venha a outra metade do curso!

Continuação aos 18/10/2015
Outubro, que mês lindo, de novos contatos, conhecimentos e de planejamento.
No dia 13/10, foi aprovado por todos os vereadores (não temos mulheres), o projeto de lei para a permissão de doulas na Santa Casa.
Esse projeto foi sonhado e elaborada por doulas. É uma das poucas cidades que está dando atenção para tal, sabemos que outras partes e cidades do Brasil também estão se mobilizando. E poucas tem a aprovação. Campinas está uma luta. Limeira também.
Dias 16 e 17, término do curso de Doula… que alegria, poder dizer: – “Eu sou Doula. A doulagem me conquistou e amando estou!”
Quantas ideias, porém muitas vezes me sinto sozinha. Vou caminhando conforme a vida me proporciona caminhos e cruza com outros, e olha que já avancei bastante:

Jaqueline Domezi se sentindo confiante
14 de março de 2015 •

Em 2014 os meus passos foram lentos com alguns retrocessos…
Em 2015 estou caminhando… e dessa vez é para ir até o fim, pois JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!!!
Pré-Natal e Parto Humanizado são Direitos!
Violência Obstétrica BASTA!

Quanto ao projeto de lei, sinceramente, meu receio é que o Prefeito vete alegando que a Santa Casa não tem espaço suficiente. Porém, estou mobilizando pelas redes sociais uma campanha # Lei das Doulas eu apoio.
Vamos que vamos… a luta continua e hoje ouvi “Os melhores soldados estão na frente.”
Hoje me dei conta que não é mais um relato de parto e sim um diário que podemos intitular provisoriamente “Diário de dois pequenos grandes guerreiros”.

Aos 08 de novembro de 2015, foi publicada na primeira pagina do jornal da cidade, a aprovação do projeto de Doulas pelo prefeito. É lei em minha cidade natal. Mais uma Vitória! Que alegria!!!

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1 comentário Adicione o seu

  1. Érica Quintans disse:

    Querida Jaqueline,
    Nossa, que história linda a de vocês, de tirar o fôlego! Ficamos felizes que esteja tudo bem com vocês e que você tenha transformado sua dor em potência para mudar nossa realidade.
    Um abraço carinhoso,
    Érica Quintans – Equipe Temos que Falar Sobre Isso

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