O tempo é a gente que faz

 

É uma mistura de sentimentos, dor, angústia, medo, saudades, agradecimento a Deus. No meio dos sentimentos vem milhões de perguntas sem respostas: Por que eu? Que que eu fiz pra Deus pra ele deixar que meu anjo morresse? Se você existe mesmo, faz ela sobreviver? Será que eu seria uma mãe ruim, pra ter levado? E se eu tivesse tomado os remédios direito será que ela estaria viva? Por que levou a minha filha? Por que? Por que? São tantos por que. Mas em vez de respostas apenas o silêncio e esse silêncio dói. Eu quero resposta mas não as respostas que todo mundo fala: “Ela é um anjinho, Deus quis assim, São os planos dele” e a pior de todas, “Talvez fosse melhor assim, o mundo de hoje anda muito perigoso”. Mas essas respostas para uma mãe que perdeu o seu maior bem, não resolve. E não pense que elas estão ajudando, apenas estarão falando algo, que a própria mãe sabe. Pois essas respostas estão enquadradas nas perguntas, entre linhas. E a cada vez que ouvimos essas respostas, só aumenta os questionamentos e mais perguntas sem respostas. As vezes um abraço, até um simples sinto muito, ajudará bem mais do que certas frases que já estamos cansadas de ouvir. Todos me dizem que a dor passa com o tempo, mas que tempo? E quanto tempo? E qual o tempo? Pois ainda vivo do tempo que eu planejava como seria tudo: cada ultrassom para saber se estava tudo bem, cada pré Natal pra ouvir a batidinha de seu coração, vivo do tempo que eu tirava fotos de minha barriga só para ver como você estava crescendo, vivo do tempo que eu fazia de tudo para te sentir mexendo dentro de mim, porque pra mim não tinha coisa melhor, vivo do tempo de olhar suas roupinhas tão pequenininhas e imaginar você dentro delas e como seria o seu rostinho.
Pois o tão precioso tempo que todos dizem que sara qualquer ferida é o mesmo tempo que me faz sentir viva. Mas não é o tempo do presente ou do futuro, é o tempo do passado. Que mesmo com a dor imensa eu consigo olhar pra aquele tempo e tirar um sorriso do rosto e conseguir seguir em frente. Pois nele eu vivi o melhor tempo de minha vida. É até estranho
falar isso mas não quero que a dor se vá. Quero que ela só diminua, pois ela já fez morada em mim. E é uma dor que que eu sei que ela nunca irá. Estou aprendendo a conviver com ela, pois nela encontrei a minha conexão com Deus e ela me mostrou que eu posso ser forte. Assim
como estou aprendendo a conviver com a saudades que bate direto na minha porta. E o tempo? Estou descobrindo que o tempo é a gente que faz.  Nós os escolhemos, que esse tempo quem permiti ele agir é somente nós. É com esse tempo que eu me permiti e eu escolhi viver. Esta me dando as respostas que eu pensei que não existia. Estou parando de questionar e começando a agradecer mais, pois tive a melhor filha do mundo, que me mostrou o que é o amor. E estou começando a entender o porque de Deus, Mesmo que seja difícil de aceitar mas a cada dia ele me dá uma prova de que ela não se foi. Que está sempre perto de mim. E descobri que a única solução pra te ajudar mesmo, além de Deus é você própria. Pois a melhor resposta está dentro de si. Se debata com a dor, chore, grite, o que tiver vontade de fazer na hora. Não nego, tem horas que o coração pede pra que eu faça mesmo tendo a resposta que eu tanto questionava. Mas depois agradece a Deus, Por ele ter te dado a sua herança . Um filho. Filhos são heranças do Senhor. Uma herança que nunca será esquecida. E que te cuida todos os dias la no céu. Assim como minha Alice está cuidando de mim.

2 comentários Adicione o seu

  1. Poliana de Oliveira disse:

    Querida

    Obrigada por compartilhar algo tão sensível e bonito com a gente. Sentimos muito que tenha tido que passar por tudo isso. O tempo é algo enigmático, e o tempo do luto corre diferente do nosso tempo habitual. Sua dor é uma forma de lembrar que um dia, de alguma forma, sua Alice existiu aqui na Terra. Você é forte, é guerreira, e está enfrentando de modo que o dilasceramento da dor diminua sim, até se transformar naquilo que chamamos de saudade. A injustiça da vida é morrermos sem muitas respostas.Mas, talvez ainda não estamos preparados para elas…

    Sinta-se abraçada por todas nós, e saiba que pode escrever sempre que precisar e contar com nosso auxílio…

    Poliana de Oliveira
    Equipe temos que Falar sobre Isso

    Curtir

  2. Rosana Azevedo Bastos Cruz disse:

    Perfeito o seu texto!! eu me sinto assim como você. Meu nome é Rosana eu tenho 43 anos, quando eu tinha 24 anos anos, engravidei porém infelizmente perdi o meu bebê com 8 semanas. Eu sinto esse tempo que você fala! mesmo na dor ainda assim a lembrança do meu filho com pouco tempo dentro de mim me faz sorrir! Mãe é mãe!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s