A coerência entre o “sim” e o “não”

Por Luzinete R. C. Carvalho (Psicanalista) – 30 Novembro 2015 – Visão Clara


A coerência entre o “sim” e o “não”

Os pais temem ser permissivos.

Temem criar pequenos tiranos manipuladores.

Os pais temem que, futuramente, os filhos que não receberam limites adequados na infância, se tornem criminosos.

Então, os pais dizem “não” quando a criança pede para brincar na água.

E se mantém irredutíveis neste “não”.

E dizem “não” se a criança pede para ajudar a fazer o almoço.

E dizem “não” quando a criança pede para colocar a roupa na máquina de lavar.

Os pais temem parecerem fracos, e com isso, atrapalhar o desenvolvimento da criança, tornando-a dependente.

E por isso dizem “não” quando a criança pede colo.

E “não” (neste caso) quer dizer “não mesmo”.

Os pais, por temerem não dar uma educação adequada aos filhos treinam dizer “não” e se forçam a não ceder.

E dizem “não” quando a criança pede para usar aquele sapato que é de passear, dentro casa.

E não cedem.

Não cedem porque o “não” é muito importante na educação das crianças.

Então os pais dizem “não” quando a criança pede para brincar mais um pouco na pracinha.

E se mantém irredutíveis neste “não”.

E os pais, às vezes muito apressados, cansados e aflitos, depois de um dia cheio, e não querendo ser autoritários demais, ao pegar os filhos na escolinha no final do dia, colocam a criança fora da cadeirinha, ou não colocam o cinto de segurança da cadeirinha na criança.

Isso porque a criança “não gosta muito do cinto”…

Os mesmos pais que dizem “não” para mais 10 minutos de brincadeira, dizem “sim” para atravessar a rua sem segurar nas mãos.

O “não” faz parte da vida, e, portanto, da educação que todo pai e toda mãe deve dar aos filhos!

É nosso dever saber dizer “não”, e não ceder quando isso é importante.

Mas quando somos irredutíveis e dizemos “não” para pedidos plenamente possíveis de serem atendidos, e dizemos “sim” e permitimos coisas que colocam a vida da criança em risco, definitivamente não estamos cumprindo com nosso dever como pai, mãe ou cuidador responsável.

E como cuidadores RESPONSÁVEIS precisamos ser atentos, meticulosos e coerentes.

Sempre digo: “devemos economizar e valorizar o nosso não”.

Devemos negar o que realmente deve ser negado.

Porém, devemos sempre ouvir o que a criança está solicitando, e ouvir de verdade, atentamente, carinhosamente, como faríamos se fosse um adulto nos solicitando algo.

Devemos avaliar se o pedido é possível, e se for, como pais, devemos levar em consideração este pedido, e atende-lo, sempre que possível.

Nós, pais e mães, somos responsáveis não “apenas” pela educação das crianças, somos também responsáveis por sua segurança!

E quando, de forma inconsequente ou distraída, não tomamos os cuidados adequados para manter as crianças em segurança, ainda assim, somos RESPONSÁVEIS pelos riscos que elas estarão expostas.

Devemos mostrar limites, sempre, principalmente a nós mesmos, para estarmos atentos para o que é uma verdadeira educação, para o que é ser realmente responsável por uma outra pessoa que ainda não tem como cuidar de si mesma, e está, INTEIRAMENTE aos nossos cuidados!

Este texto, como tantos, é inspirado em fatos reais, de pais e crianças que já encontrei (e encontro) por aí.

E não, não é um julgamento a esses pais, é um alerta para que possamos, nós mesmos, refletir e avaliar melhor nossas posturas e condutas.

Olhar para nós mesmos, e enxergarmos o quanto estamos pressionados, por uma sociedade que nos cobra os limites a serem dados aos nossos filhos, que nos cobra os “nãos” que devemos dizer aos nossos filhos, mas não nos apoia para uma educação verdadeira, integrada, cuidadosa e empática.

Pressionados somos o tempo inteiro.

Mas podemos, de vez em quando, refletir um pouco, para encontrarmos dentro de nós mesmos o equilíbrio tão necessário para podermos ser verdadeiros educadores.

Através da reflexão podemos encontrar a coerência que, cada um ao seu jeito, usará para cuidar verdadeiramente das nossas crianças.

Um cuidado baseado no respeito e no Amor.


Texto da página Visão Clarahttps://www.facebook.com/notes/vis%C3%A3o-clara/a-coer%C3%AAncia-entre-o-sim-e-o-n%C3%A3o/179781142369327

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