As mulheres Do Luto à Luta

Meu nome é Cristina, tenho 42 anos, três filhas de 16, 12 e 3 anos e faço parte das mulheres Do Luto à Luta.
Tenho quatro irmãos e temos todos idades muito próximas, pois meus pais tiveram filhos um atrás do outro. Como cresci neste ambiente caótico, cheio de risadas, brigas e festas, pensei em construir minha família assim também.
Quando minha filha mais velha tinha dois anos e meio eu quis engravidar de novo, para que as crianças crescessem juntas, amigas, como eu e meus irmãos.
A primeira consulta com a ginecologista foi tranquila.
Mas durante as semanas que se passaram fui sentindo uma angústia, como se alguma coisa estivesse errada.
Na segunda consulta, a médica fez o exame clínico e constatou que estava
tudo bem, mas mesmo assim insisti em fazer uma ultra. Ela não queria fazer
o pedido, pois disse que não era necessário, mas diante de minha insistência
ela cedeu e me entregou o pedido.
Fui imediatamente ao laboratório e consegui fazer o exame na hora. A médica ficou calada uns instantes assim que o exame começou e logo vi que tinha mesmo algo errado. Vi o pequeno feijãozinho caído, no cantinho do útero, sem vida.
A médica me explicou que a gravidez não tinha seguido em frente e provavelmente eu
teria que fazer uma curetagem. Eu nem sabia o que era isso e não conhecia
ninguém que tivesse passado por aquilo. Depois descobri muitas mulheres que
também sofreram com o aborto espontâneo. Mas acho que é um assunto que ninguém gosta de abordar, não é mesmo?
Sentei na sala de espera para aguardar o laudo para levar para minha médica.
Meu marido estava comigo e ficamos os dois calados, sem saber muito bem
o que dizer. Liguei para minha mãe e ela percebeu logo algo errado, por causa
da minha voz trêmula e emocionada.
Minha mãe é japonesa, muito prática, e acostumada a lidar com a morte desde
pequena, como todos os japoneses. Ela me deu força, mas não fez drama, e isso
acho que me deu uma sacudida e me tirou um pouco do estado entorpecido em
que eu estava.
Liguei em seguida para minha médica e ela ficou surpresa. Quando insisti em
fazer a ultra mais cedo, em seu consultório, eu disse pra ela que estava sentindo
que havia algo errado e ela não acreditou. Quando dei a notícia ela disse:
“Vc tinha razão, Cristina. Coração de mãe não se engana”.
Não tive problemas na curetagem e me recuperei bem rápido. Tanto física como emocionalmente.
O que quero deixar de mensagem neste depoimento é que a Vida vai nos derrubar
muitas vezes enquanto estivermos por aqui. Nós é que temos que decidir se vamos
nos entregar à dor ou se vamos nos levantar e seguir em frente, mais forte, para
enfrentarmos o próximo obstáculo.
O importante é sentir a dor o tempo que for preciso, e depois transformá-la em
luta, em Vida, em amor.
Como as mulheres do Do Luto à Luta!
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1 comentário Adicione o seu

  1. thalita disse:

    Exatamente o q aconteceu comigo, exceto q era a minha primeira gravidez…foi devastador! Me sentia mt culpada, achava q eu tinha participação pelo fato do coração do meu bebê ter parado de bater….Curetei, senti mta dor, perdi mt mt sangue. …foi horrível! Três meses depois engravidei novamente e hj minha filha está c 8 meses. Lutei e com a ajuda de Deus, venci! Hj tenho meu tão sonhado bebê em meus braços! E se Deus permitir, ainda quero ser mãe de um terceiro!

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