Mulheres Incríveis

Por Thais Cimino – 30 de Outubro de 2015


Mulheres Incríveis

Sabemos o quanto temos diversos caminhos para serem construídos e desconstruídos, mas o atual projeto acredita que o primeiro grande passo para acolher e elaborar as dores e marcas femininas é, justamente, FALAR SOBRE ISSO em uma rede social de apoio coletivo e compartilhado. Afinal de contas, o acolhimento ao sofrimento alheio diante de situações que exigem transformações individuais e coletivas relacionadas à saúde/ estado global de toda mulher é, sim, uma ação de promoção/proteção à saúde, de empoderamento e de melhoria da qualidade de vida. Ações como essa indicam a relevância da democratização de um cuidado que legitime experiências e sofrimentos e fomenta a construção de redes mais solidárias e compreensivas, no fortalecimento de comunidades – virtuais e físicas/presenciais – que se co-responsabilizam pelos temas ligados ao desenvolvimento famíliar, comunitário e ao empoderamento feminino.

Teresa Ruas e suas lindas palavras sobre o Temos que falar sobre isso!!

Então, vamos juntas??

Falar sobre a solidão e o desamparo de mulheres que acabaram de virar mães, do sofrimento de mulheres isoladas e caladas com suas crias, que não encontram espaço na própria família para sanar suas dúvidas, dores e angústias…

Falar sobre o luto silenciado de tantas mães que perderam os  seus filhos ainda na barriga ou alguns dias depois do nascimento, da insensibilidade dos profissionais, da falta de espaço para falar sobre a dor de perder um filho com qualquer idade…

Falar do que realmente significa esse 1% de mães que “de fato não podem amamentar” – segundo a população do Brasil, significa mais de 1 milhão de mulheres – que em muitos discursos não entram nesse debate, afinal são  1% e mal fazem estatística… falar em acolhimento para todas as mulheres que sofrem dificuldades na amamentação, falar de estados de ânimo abalados que prejudicam o aleitamento, de profissionais não capacitados para aconselhar sobre o processo tão intenso da amamentação, afrontar as grandes indústrias de leite artificial que compram profissionais, de onde encontrar apoio e informação, das condições de trabalho das mulheres que dificultam o aleitamento prolongado, da sociedade que olha torto para uma mãe que amamenta e também para a que dá mamadeira…

Falar de médicos e instituições que deixam marcas físicas e psicológicas durante o pré-natal, parto e puerpério que causam danos irreversíveis na alma de muitas mulheres, sobre os casos de violência obstétrica que acontecem em todo o país, de profissionais que abandonam as mulheres por “princípios” no mínimo duvidosos…

Falar de uma sociedade cheia de regras e normas, que dita qual a conduta adequada conforme suas crenças vazias, autoritárias e deterministas que não levam em conta a autonomia e a intuição da mulher e que “esqueceu” o poder curativo do sagrado feminino que reside em todas nós…

Falar das barreiras colocadas para algumas classes de profissionais – como as enfermeiras obstetras, por exemplo – que não encontram espaço para exercer a profissão…

Falar das salas das UTI’s neonatais cheias de aparelhos e tão desabitadas de empatia e calor humano para abraçar famílias aflitas e temerosas…

Falar do sofrimento psíquico, da confusão psicológica, da morte da mulher e do nascimento da mãe… dos desafios dessa nova vida, e de como isso interfere na vida familiar e do casal…

Falar de trâmites e burocracias que parecem infinitos na hora de trazer do coração para casa uma criança adotada…

Falar sobre as transformações também do homem e da família que passa por dificuldades junto com a mulher durante a gravidez, o parto e o pós-parto e que também precisa de apoio para poder superar essas dificuldades…

Falar sobre a importância de nós mulheres, estarmos unidas, de abrirmos nossos corações, nossas almas e desabafar o que está engasgado e entalado na garganta; de escutarmos outras mães e entendermos as suas dores, de compartilharmos uma palavra de apoio, de conforto e de incentivo; de nos darmos as mãos e de cessarmos as confrontações, de nos identificarmos e assim potencializar nossas forças…

Falar que todas estamos fazendo o nosso melhor, dentro das nossas limitações, dentro das nossas possibilidades, e que a maternidade real, aquela que vivemos no dia a dia, é feita de erros, acertos, desespero, euforia, descobertas, dúvidas, medos, transformações e aprendizado…

Pra falar sobre tudo isso, hoje 14 mil pessoas nos acompanham na página do Facebook!

Agradeço a cada uma de vocês por falarem sobre tudo que incomoda, por mostrarem que podemos sim, que tem saída sim, que não estamos sozinhas, que a maternidade pode ser satisfatória, pode ser maravilhosa, e pode ser assustadora e cheia de coisas inesperadas…

Essa força e união, por essa empatia e carinho que estamos construindo entre mães, entre mulheres, para aliviar as dores e angustias, superando os obstáculos é o que confirma diariamente que SIM nós Temos que falar sobre isso!

Um agradecimento especial à Equipe Temos que falar sobre isso, que de forma totalmente voluntária, diariamente cuida com muito carinho de tantas mulheres que precisam de amparo, vocês são ótimas e estão fazendo um trabalho incrível, informando e acolhendo!

É muito emocionante poder reunir tantas MULHERES INCRÍVEIS que estão dando vida ao projeto!

Um beijo e um abraço cheio de emoção,

Thais Cimino

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