Elisama (Elis) Santos

Por Elisama Santos – 23 Outubro 2015

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A gente cresce acreditando que todo mundo precisa ter um filho pra ser feliz. É o que diz a TV, a revista e o padeiro da esquina. Falam um monte da doação, como se fosse algo fácil e natural. Enfiam na nossa cabeça que vai ser simples, vai ser automático.  Um belo dia a gente cresce e resolve que quer essa felicidade toda que tanto anunciaram. Senta, planeja e manda o anticoncepcional pras cucuias! E a gravidez vem, um pouco mais incômoda do que o que se imaginava. Mas tudo bem, vai valer a pena quando pegar o filho nos braços.
O filho vem, ocupa os braços, a vida, a rotina. Traz um monte de sentimento controverso, sacode todas as certezas, abala as estruturas. A gente sente coisas que nunca imaginou que viveria. E em momentos de desespero senta e chora, tendo certeza que cometeu o maior erro da vida. São tantas as mulheres que vivem isso que não seria capaz de listar. A cada dia acredito mais na maternidade real, do dia a dia. Aquela que não aparece na foto sorridente na rede social. Aquela que não combina com hastag fofa.
Eu sou Elisama, mas pode me chamar de Elis. Tenho dois filhos, Miguel (3 anos) e Helena (1 ano). Duas crianças diferentes, duas gestações muito diferentes – uma planejada a outra não – duas vivências diferentes e uma mesma certeza: ser mãe é a missão mais difícil que recebi na vida. Vivo me desfazendo e refazendo para dar conta do que eles me trazem. Não vivo a felicidade de propaganda de margarina que esperava viver. Choro muito, me desespero e volta e meia  me arrependo do dia que decidi ter filhos.
Por muito tempo me julguei por sentir pela maternidade algo além do amor. Que tipo de mãe eu sou que não amo o tempo inteiro? Até que percebi que não estava só. Até que desfiz em minha cabeça a imagem que construíram durante toda a minha infância. Aceitei que há um abismo entre a mãe que quero e a que consigo ser. Continuo tendo a mãe ideal em vista, mas com a certeza de que ela é apenas ideal. E que teorias são lindas mas não são vivas. Aceitar a mãe que sou, a excelente mãe que sou, me libertou. Não sou perfeita, mas entre erros e acertos, tenho me saído bem nessa missão.
E pra que serve a liberdade, se não para libertar? A vida tem me encaminhado para uma missão que aceito de coração aberto: falar sobre a maternidade de maneira honesta e real. Sem firulas, sem dourar a pílula. Acolher outras mulheres me faz acreditar que podemos mudar o mundo. Cada mulher tem sua história, suas dores, e, por mais que acreditemos que somos muito diferentes, muito temos de igual. E saber que não estamos sozinhas ajuda um bocado a manter a sanidade mental. Escrevi um livro, mantenho uma página no facebook e um canal no YouTube sobre a maternidade como ela é. E uma vez por mês estarei aqui, nesse lindo projeto que tive a honra de ser convidada a colaborar. Na impossibilidade de abraçar a todas presencialmente, seguirei tecendo este abraço virtual e feito de letras. Que nos sintamos acolhidas e cuidadas umas pelas outras. E que um dia a maternidade deixe de ser uma jornada tão soliária.

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