Não julgar ninguém!

Minha história – Parte I

Da descoberta ao nascimento

Quando descobri que estava grávida foi um susto. Um susto muito grande. Nem de longe eu senti a alegria que muitas mães dizem que sentem. Eu senti medo. Me tremia de medo. Abracei meu companheiro e chorei, chorei de tristeza, de angústia, de não saber o que fazer… Eu já era uma jovem adulta, formada, mas não tinha emprego, morava na casa da minha mãe, e, principalmente, não amava o pai do bebê. Nós tínhamos nos conhecido há poucos meses e só estávamos juntos porque realmente eu estava suspeitando da gravidez. Assim, eu pensei, claro, em abortar. Falei com amigas que já tinham feito e fui atrás de um médico com ele, apesar de não querer que eu fizesse isso. Cheguei a ir numa primeira consulta e marcar o dia… foram os dias mais tensos da minha vida, até então. Ter que decidir isso. Eu fiquei depressiva. Chorava noite e dia. Meu companheiro tentava me convencer do contrário com argumentos espirituais. Eu realmente não queria fazer aquilo e nem ter o filho. Eu não queria passar por aquilo. Lembro que meu cérebro doía, doía muito, ao ter que pensar, fazer essa escolha tão difícil. Eu sempre quis ter filhos, mas me sentia suja do meu companheiro, apenas carregando um filho dele, que não parecia ser meu. Até enjoei ele! O cheiro dele me dava náuseas.
Chegou o dia e fomos. Mas antes de entrar na sala eu desabei no choro. Nem ali eu tinha decidido. O médico me viu e decidiu, ele mesmo, não fazer (talvez com medo de eu me arrepender e de alguma forma trazer problemas a ele). Me senti aliviada. Saí de lá até com um sorriso no rosto. Pela primeira vez chorei de felicidade com a gravidez. Mas não foi fácil, contei pra família. Aceitei a gravidez, fiquei feliz com ela e me permiti. Percebi que se eu tivesse feito um aborto, seria algo difícil na minha vida que só ia me trazer uma tristeza, mas se continuasse a gravidez, seria algo difícil na minha vida que me traria um bebê, uma felicidade. Percebi que não dava pra voltar no tempo, que um aborto não faria o tempo voltar, seria mais uma ação na vida e que não era pra mim.
E também continuei junto com o namorado, apesar de que eu sentia, eu sabia, que era apenas pra conseguir seguir em frente, enfrentar minha família, tão conservadora, enfrentar os amigos, enfrentar a sociedade. Apesar de tudo, de achar ele feio, de me incomodar seu sorriso, de algumas atitudes estranhas, como fazer que eu mostrasse minhas mensagens do facebook a ele…
E aí o bebê nasceu… e eu o amei, amei mais do que tudo na vida. E eu chorava… chorava muito, pedia desculpas por ter cogitado a possibilidade do aborto. Um ser que me amava tanto… e tão inocente. Talvez tenha tido depressão pós-parto, não sei. Meu bebê nunca foi um bebê fácil, mesmo, agora que tenho outro é que sei. Ele era muito difícil, não se compara. Sempre que chorava era gritando, foi muito, muito difícil, na verdade, ainda é. Mas hora nenhuma esse amor foi colocado em dúvidas. Não foi um amor imediato com a gravidez, nem com a primeira vez que o vi, mas com a primeira vez que foi colocado em meus braços… E é o que espero com esse relato, além de me ajudar, ajudar outras mães na mesma situação a decidir, e ajudar quem julga as mães que pensam ou que fazem um aborto, a não julgar, porque, definitivamente, não é uma escolha fácil. Eu não fiz, eu não faria, mas aprendi ainda mais a não julgar ninguém.

1 comentário Adicione o seu

  1. Olá, somos muito gratas pelo seu depoimento. Sua história com certeza pode ajudar outras mulheres. A união, a troca e o amor entre nós mulheres nos ajuda a enfrentar os caminhos da vida.
    Um forte abraço. Thalita Arruda – Conselheira da Equipe Temos que Falar Sobre Isso.

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