Um pouco da minha história

Por Teresa Ruas – 13 Julho 2015


Um pouco da minha história: caminhos trilhados pela fé, pelo afeto e pela ciência

Olá a todos que seguem esse espaço, como uma forma de encontrar esperança, empoderamento, fé, resiliência e um cuidado baseado na amorosidade.

Hoje, venho aqui me apresentar como mãe, mulher e profissional e, portanto, contar a todos um pouquinho dos meus caminhos trilhados/vividos e, como abracei a causa e a preocupação em garantirmos um acolhimento mais afetivo a gestantes de alto risco e mães de prematuros extremos e que enfrentam os diferentes/difíceis desfechos da prematuridade extrema.
Sou Teresa Ruas, 35 anos, terapeuta ocupacional infantil, mestre em educação especial e doutora em ciências da saúde, com enfoque na saúde coletiva infantil. Em minhas pesquisas e ações, sempre me aventurei pelo mundo da prematuridade e das crianças de risco- causas ambientais e biológicas-.
Esse desejo, talvez, sempre esteve muito presente em mim, pois nasci de 28 semanas na década de 80 e em uma cidade pequena e sem recursos tecnológicos para garantir a sobrevida de bebês de alto risco. E como consegui sobreviver e sem sequelas neurológicas, sempre tive esse desejo muito latente e uma paixão pelos prematuros e gestações de alto risco.
Porém, nunca poderia imaginar que a minha experiência com a prematuridade extrema e com a gestação de alto risco fossem fazer parte da minha constituição e da minha construção como mulher e como mãe. Nunca imaginei que a prematuridade extrema e todos os seus possíveis desfechos pudessem marcar para sempre a minha própria existência.
Com 18 semanas gestacionais fui internada diante de um trabalho de parto prematuro. Uma bactéria no útero estava provocando todo esse contexto. Bactéria essa que, a principio, o meu ginecologista conseguiu controlar com os antibióticos permitidos para uma gestante, mas que por volta das 22 semanas gestacionais, tornou-se ativa novamente, podendo causar um quadro de infecção generalizada, a minha morte e a morte de minha bebê e primeira filha. Portanto, para tentar garantir, a princípio, a minha vida, a equipe responsável teve que fazer uma cesariana de emergência e de altíssimo risco. Mãe e filha corriam risco de vida e contavam com a fé e com os conhecimentos técnicos de uma equipe especializada em gestações de alto risco.
Maitê Maria nasceu com 23 semanas e 1 dia e pesando 750 gramas. Nasceu apenas expressando alguns batimentos cardíacos e, totalmente vulnerável diante de seu nascimento extremamente prematuro. Uma bebê que tinha todas as condições para não sobreviver, para ter grandes sequelas neurológicas, principalmente, diante de suas diversas paradas cardíacas e respiratórias.
E eu diante de tudo isso… uma cientista que sempre estudou a prematuridade e que estava vivenciando, na experiência real e concreta, a triste e difícil carga emocional frente ao enfrentamento de uma prematuridade extrema, ou seja, no limite da vida e da sobrevivência.
Uma mulher e mãe que já estava muito fragilizada diante de um mês somente na cama, sem poder levantar nem para ir ao banheiro, sem poder fazer forças para evacuar, com uma dieta para engordar ao máximo a sua bebê- internei com Maitê Maria pesando 370 gramas- e, extremamente, medicada para que conseguisse ficar deitada o tempo todo e sempre de barriga para cima e com as pernas levantadas.
Nesse um mês deitada e sem me movimentar, procurei espaços online para acolhimento de gestantes de alto risco e que necessitam permanecer internadas. Não encontrei. E procurei muito algum espaço de trocas de experiências- não apenas blogs-, pois não passar por uma gestação completa, enfrentar a morte bem de perto e vivenciar uma prematuridade extrema são, sim, situações que causam muita dor, muito trauma e muito medo.
Afinal de contas, sonhei com uma gestação, até porque fiz um longo acompanhamento para a endometriose. Sonhei em sentir o feto se movimentar dentro de mim, amamentar, sentir a minha bebê em meus braços, escutar o seu choro e sentir o seu cheiro.
Ao invés dessas experiências e que são vitais para mulheres que desejam ter filhos, tive que passar por cima de toda a minha dor e me concentrar na própria sobrevivência de minha filha. Uma bebê recoberta por fios e mais fios, entubada e monitorada 24 horas por dia. Uma bebê que teve que enfrentar uma cirurgia cardíaca para continuar a viver, com apenas 800 gramas, e a lutar cada dia para se manter viva. Uma bebê que permaneceu 6 meses em uma UTI Neonatal e que depois, teve que ter o acompanhamento do home care em casa, pois ainda era dependente de oxigênio.
E diante dessa bebê extremamente frágil e, ao mesmo tempo, extremamente forte e guerreira, também estavam uma mãe e um pai, completamente frágeis diante do enfrentamento de todos os traumas de um parto e de um nascimento extremamente prematuro.
E como elaborar tudo isso? Eu escolhi a própria maternidade para começar a compreender algumas dores e feridas. A cada conquista de Maitê Maria, tentava me empoderar e tentava dar apoio a outras gestantes internadas e a outras mães que também viviam a prematuridade extrema e os seus difíceis desfechos, tais como a morte de seus filhos.  Juntamente com essa minha predisposição em acolher outros pais e a compartilhar experiências similares, surgiu o meu blog – minha teoria na vida- teteruas.blogspot.com.br- e, com ele mais histórias de prematuridade extrema e de acolhimento de pais.
Assim, ao longo desses 2 anos e meio de Maitê Maria, os meus caminhos começaram a ser trilhados não apenas por uma cientista que sempre investigou e acompanhou o desenvolvimento de crianças de alto risco, mas como uma mulher e uma mãe que ainda vivencia as consequências de uma gestação de alto risco e da prematuridade extrema. Consequências essas que não atingem somente o bebê, mas a trajetória pessoal, afetiva e profissional do próprio casal, especialmente, a materna.
Portanto, ao abraçar esse espaço de acolhimento e de resiliência, pretendo me colocar como um suporte afetivo para gestantes de alto risco e que enfrentam a prematuridade extrema e os seus difíceis desfechos. Espero que possamos trilhar juntas um caminho marcado por uma profunda amorosidade e respeito diante de todas as dores e feridas que caracterizam essas realidades.
Conto com vocês e um forte abraço, com muita esperança de que é possível experimentarmos e vencermos situações de alto risco, as quais exigem uma inter-relação entre afeto, fé e ciência.
Até o próximo, post, Teresa Ruas

Anúncios

12 comentários Adicione o seu

  1. eu também estou passando por uma situação difícil meu filho nasceu dia 13/07/16 e nunca saiu do hospital,precisa ser transferido para um hospital especializado em cirurgia cardíaca, esta cadastrado pelo Cross e já fui na defensoria , tem mais de um mês que ele aguarda vaga de transferência , só que ele não e prematuro , mesmo assim ele precisa de mim ,,,minha licença maternidade vai vencer dia 07/11/16..o que faço já que o meu marido e autônomo e o meu salário ,
    contribui para o arrimo e sustento familiar

    Curtir

  2. Lidiane Vieira disse:

    Te, que lindo.
    Também fui escolhida para ter uma princesa prematura.
    Um grande beijo saudades
    Lidi

    Curtir

  3. Myrella disse:

    Te, que lindo!
    Juro que imaginei você mesma falando tudo isso!
    E cada vez mais só penso o quanto vc sempre foi forte e guerreira!
    Me sinto extremamente feliz em ter a oportunidade de aprender muito com você.

    grande beijo e saudades

    Curtir

    1. teteruas disse:

      Muito obrigada pelo carinho fortalecedor! Bjos

      Curtir

  4. Gerusa disse:

    Minha Grande Amiga!
    Te admiro cada vez mais!
    E ver a felicidades de vocês e da Maitê nos faz acreditar na inter-relação afeto, fé e ciência.
    Um grande beijo!
    Gerusa

    Curtir

    1. teteruas disse:

      Obrigada minha amiga do peito

      Curtir

    2. teteruas disse:

      Obrigada minha amiga querida e amada

      Curtir

  5. Renata Anchieta disse:

    Parabéns, Tetê Ruas!!! Tive minha bebê com 33 semanas de gestação, também ficou na UTI neonatal, e imagino o quão difícil é o enfrentamento dos pais junto à situação de prematuridade extrema de seus bebês. Apoio, informação, fé, paciência e empoderamento são fundamentais!!!

    Curtir

    1. teteruas disse:

      Muito obrigada! Você mesma já passou por isso e sabe o quanto é difícil, não é mesmo? Continue acompanhando os textos aqui! Conto contigo. Bjos

      Curtir

  6. Márcia Harumi U. Ozu disse:

    Parabéns pela iniciativa!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s