Parto Roubado

Pois é… sempre quis ser mãe mas, desde que tinha uns 15 anos, o GO disse que eu tinha Ovários Policísticos e Mioma e que por esses motivos seria mais difícil conseguir engravidar. Eu morria de medo de não poder ser mãe… ficava desesperada só de pensar… Mas graças a Deus não foi difícil não. Conversei com meu marido e decidimos tentar. Então fiz um plano de saúde e planejei certinho para dar tempo de ter meu bebê pelo convênio. E foi assim… logo depois de 3 meses tentando… eis que veio meu tão sonhado positivo. Fiquei super feliz!!! Falei com minha amiga que já estava grávida há um tempo… eu tinha medo da dor que eu poderia sentir… pensei em cesárea, mesmo sabendo que não era o melhor…. mas depois de falar com ela que já havia passado por uma cesária e que então iria ter seu tão sonhado parto normal, resolvi pesquisar e decidi também que meu parto seria normal. Eu queria muito um parto sem intervenções, mas percebi pelas pesquisas que eu teria que pagar para ser respeitada! (Muito triste isso). Bom… resolvi então falar com a GO do convênio, que estava fazendo meu pré-natal, “- Dra. quero saber sobre o parto, quero parto normal” e ela me responde “- Eu não faço parto normal, só faço cesárea”. Fiquei desesperada!  E agora? O que eu poderia fazer? Pensei… e resolvi procurar, ainda no mesmo convênio, algum médico que fosse a favor do parto humanizado e até encontrei na internet o nome dele… tentei por meses agendar com ele, mas ele nunca tinha agenda para o hospital no qual eu passava, fiquei com muita raiva e resolvi cancelar o convênio. Pesquisei mais e mais e li que tinham muitas mulheres que iam para casas de parto para ter seus bebês, pensei então que esta seria a melhor solução! (E ainda acho que se eu tivesse ido, não teria passado pelo que passei). Mas meu marido tinha medo de que se algo desse errado, não estaríamos em um hospital e me pediu para que eu não fizesse isso e escolhe-se um hospital… entendi e respeitei o pedido dele e comecei a procurar algum hospital que tivesse um centro de parto humanizado, então um dia pesquisando, vi que o meu hospital de referência (pelo SUS) tinha o tal CPH (Centro de Parto Humanizado), mandei um e-mail para o hospital e pedi para conhecer o CPH, uma chefe das enfermeiras me respondeu e marcamos o dia, (eu já estava com 30 semanas de gestação). Eu e meu marido fomos ao hospital e conhecemos o CPH, era super legal! Um quarto com banheiro individual para cada parturiente e seu acompanhante. Fiquei apaixonada!!! Era isso que eu queria. Então com 39 semanas e 3 dias e 1 cm de dilatação, estava com cólicas, fui ao hospital, fiz os exames e estava tudo certo, então a médica disse para eu fazer um acompanhamento de 3 em 3 dias e com 40 semanas e 3 dias lá estava eu pela 3 vez… nem levei as malas no dia, tinha certeza de que estaria tudo certo e eu não ficaria lá, mas ai começaram a fazer os exames e repetiram… e repetiram… e a médica do outro plantão me falou que minha bebê estava com os batimentos muito acelerados e que não poderia me liberar assim… então ela me internou, era meio dia quando fui para o CPH, meu marido estava lá comigo o tempo todo. 12h30 a médica aparece na sala e diz que vai induzir meu parto, então ela pegou uma agulha enorme e rompeu a bolsa, saiu muita água e bem clarinha, a médica disse que estava ótima por isso…repetiu a cardiotocografia e disse que os batimentos do bebê tinham estabilizado, pensei maravilha! agora vou poder ficar aqui só esperando minha filha nascer. A médica saiu e ficamos só eu e meu marido, ele para me deixar relaxada ficava “falando besteiras”… rs me fazendo rir… e a cada contração… era um “ui… kkkkkkkkk” foi assim… muito bom até às 14h, quando a enfermeira veio e trouxe o “sorinho do inferno” a tal ocitocina sintética! A partir desse momento o meu calvário se iniciou, a enfermeira me mandou para o banho e fiquei por 1 hora sentada na bola, pulando e meu marido jogando água em mim, nas costas e na barriga e a cada contração era um gemido, então ela vinha e aumentava o gotejamento, eu falava para não aumentar, mas ela ignorava e aumentava. Às 15h voltei para a cama, com aquele soro no braço era tanta dor que eu não conseguia andar, nesse meio tempo, de meia em meia hora, entrava alguém para fazer o exame de toque, não era sempre a mesma pessoa. Quando deu umas 17h20 eu já não estava mais aguentando e gritava para alguém me ajudar e a obstetriz que por acaso estava grávida também, veio e disse que pelas minhas contrações eu ainda nem estava sentindo dor e que eu tinha que respirar, por que se não eu faria mal para o meu bebê. Mas eu não estava mais aguentando, porque naquele momento já haviam aberto todo o fluxo do soro e a dor era tanta que eu nem conseguia mais respirar, com “6 cm de dilatação” por não aguentarem mais eu pedindo ajuda, vieram sei lá quantas pessoas e a obstetriz me mandou começar a fazer força… e ficava falando… quando vier a dor você faz força. “força… força… força… força…” eu falava que não conseguia e todos gritavam comigo para eu não parar de fazer força na hora da dor. Me “dobraram ao meio”, empurravam minhas pernas contra mim e por último o cúmulo foi o médico que estava só passando por lá, pois não são os médicos que acompanham os parto, falou… “- Vou te ajudar”, então ele fez a manobra de kristeller. (Manobra de Kristeller – É quando o médico ou um enfermeiro, durante o período expulsivo empurra com força a barriga da mulher (o fundo do útero) para que o bebê “saia mais rápido”). Quando finalmente minha filha nasceu, eu não tive nenhuma reação de felicidade, só consegui olhar para ela e pensei… “pronto, não te perco de jeito nenhum”. Colocaram ela na minha barriga por uns 2 minutos e depois já levaram para fazer os procedimentos desnecessários com ela também, aí a obstetriz, ficou lá mó tempo me costurando, porque tinha feito também a episiotomia de rotina e além do corte eu ainda sofri uma super laceração. Depois que ela terminou, ela disse, “você consegue levantar?” e eu falei “acho que sim”, então com a ajuda da minha mãe (que trocou de lugar com meu marido minutos antes da Lívia nascer) fui para o banheiro e lavei o pontos, depois uma enfermeira ajudou a me vestir e voltei para a cama, só depois disso me deixaram amamentar minha filha. Resultado disso tudo? eu choro até hoje toda vez que conto essa história para alguém e sempre que tenho que pisar em um hospital, meu coração já acelera. Sim! o importante é que estamos bem, mas eu não precisaria ter passado por isso não é mesmo?

Depois que vim para casa acabei fazendo força no banheiro, e meus pontos abriram. Como ainda estava muito traumatizada, acho que demorei uns 3 dias para ter coragem de voltar ao hospital, mas fui assim mesmo e falei para a médica o que tinha acontecido. Ela olhou e disse que estava tudo certo. Eu falei que tinha aberto a episio e que estava diferente sim. Ela foi muito grossa, e falou: “É claro que ta diferente né mãe… passou um bebê por ai. Vai sarar sozinho, não precisa fazer nada.” Resultado? tenho uma episiotomia aberta até hoje.


A Amanda nos contou que esse sofrimento lhe serviu para querer ajudar outras mulheres… Por causa do que aconteceu, ela fez o curso de Doula e criou a página Aflorar Materno.

7 comentários Adicione o seu

  1. Suelen disse:

    Oi nssa sua história é igual a minha … Sofri mto mais mto mesmo …. Ganhei minha filha cm 40 semanas e 5 dias …. Meu parto tava demorando mto … E então trouxeram o maldito … Infernal …. Desgraçado SORO quase morri … Nunca achei que existia no mundo tamanha dor … Pedia para as enfermeiras tirarem ou diminuírem e elas nem ligava !!! Não vou contar tudo cm detalhes só que foi idêntico a sua história ! Na hra do parto a BB não saia … Ficavam falando a hra que a dor vim faça força … Resumindo ela saiu tava tão passada que quando colocaram ela no meu peito. . nao consegui nenm olhar para ela,nem tocar nela … Tava quase desmaiando já…. Pq o momento que era pra ser o mais emocionante da minha vida se tornou um pesadelo que ate hje tbm não consigo nem pensar … Ganhei minha filha faz 15 dias .. Mais lembro de cada detalhe é momento de tortura , me rasgaram. ( tiveram que cortar) custuraram .. Mais no 5 dia já avia abrido tdo … Resumindo …….. To aberta … Meu parto foi pelo sus … Entao les não vão me custurar de volta !!!! E lembrarei do sofrimento daquele dia para o resto da minha vida . nao desejo a ninguém o que eu passei

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  2. Érica Quintans disse:

    Querida,
    Isto que vocês viveram foi violência obstetrícia! Que pena que tiveram que passar por isso. A mulher deve ser respeitada, acolhida e preparada para o parto.
    Obrigada por compartilhar sua história conosco!
    Grande abraço,
    Érica Quintans – Equipe Temos que Falar Sobre Isso

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  3. Fernanda Vasconcelos disse:

    Gostaria de saber o que aconteceu de errado nesse parto, porque pelo relato ela foi devidamente acompanhada, os procedimentos necessários foram feitos e o bebê nasceu bem e sem nenhum problema. O único problema que vi é uma mulher que acha que conhece o assunto porque leu um monte de besteiras na internet e acha que parto é uma coisa tranquila, indolor e sem riscos. Deu foi sorte de terem identificado o problema e induzido o parto, temos vários relatos de mulheres que não tiveram essa oportunidade e perderam os filhos por isso.

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    1. Fernanda, uso do soro em 70% dos partos de baixo risco, da ocitocina sintética em 38%, a manobra de Kristeller em 37% dos casos e a episiotomia em 54% dos casos são alarmantes. Isso sem contar na forma como a médica se dirigiu a ela falando sobre a sua episiotomia, sem o mínimo respeito. Esses dados contrariam as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Se você tem dúvidas sobre isso, acesse o seguinte artigo científico, com informação baseada em evidências. Essas informações não são um monte de besteiras da Internet. O parto pode ser muito mais tranquilo e menos doloroso – fisica e psicologicamente – se a mulher não for submetida a intervenções desnecessárias usadas rotineiramente. A mulher precisa ter sua dignidade e integridade preservada e deve ser respeitada, caso contrário se caracteriza como violência obstétrica. Um abraço.
      http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2014001300005&script=sci_arttext

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  4. Amanda disse:

    Luiza Pimenta, tive meu filho lá, e não tenho do que reclamar. Me deixaram livre para caminhar, comer, tomar banho e em todo tempo acompanhada do meu marido. Além do Maria Amélia, tem a casa de parto em Realengo. Apesar de tudo, o Maria Amélia é a melhor opção para quem quer ter um parto humazinado.

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  5. Maria disse:

    Eu pari num centro de parto dentro de um centro espírita que é tecnicamente do SUS. Algumas pessoas ficaram assustados e até opinaram que eu não sabia nada e que estava sendo irresponsável já que meu plano de saúde tava todo pago, mas terminou sendo a melhor decisão eu fiz na minha vida. Ainda acho absurdo que lá é o único lugar que faz parto humanizado nessa minha cidade de quase 4,000 milhão pessoas. E tem 3 quartos. Se chama Mansão do Caminho. Agora no Rio não sei indicar. É preciso fazer perguntas bem especificas sobre o protocolo do hospital. Quase todos que dizem “parto normal” querem dizer parto manipulado.

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  6. Luíza Pimenta disse:

    Eu passei por uma experiência parecida no meu primeiro parto. A GO do plano disse que não ouvia o coração do bebê e que deveríamos marcar uma cesariana. Fui procurar uma segunda opinião num hospital público e tive o parto normal cheio de intervenções e violências. Estou grávida de novo e estava pensando em fazer pelo SUS na Maternidade Maria Amélia aqui no Rio. Mas ainda estou insegura. Alguém tem alguma dica?

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