Mãe

Por Veronica Esteves de Carvalho – 10 maio 2013


Uma frase chavão, porém verdadeira: “Quando nasce uma mãe tudo se torna diferente”. A maneira de viver, de se relacionar, de pensar e sentir sofrem mudanças, assim como os objetivos e sentido de vida, o olhar para as pessoas e para a sua realidade.

Quando falamos sobre mães sempre fica a sensação de faltar algo a ser dito, uma vez que estamos diante de um “mundo” complexo,  marcado por subjetividades.  Mãe não nasce pronta, filho também não. Juntos constroem a cada dia uma relação, carregada de possibilidades e particularidades, cada qual – mãe e filho – com sua personalidade e temperamento, registrando a unicidade desta relação.

Mãe: uma diferente da outra. Têm mães pré-ocupadas e ansiosas, mais desconfiadas, que tentam se cercar de segurança e controle; têm aquelas mais tranquilas, que resolvem as coisas conforme vão aparecendo. Há mães que trabalham fora, outras que trabalham em casa; as que recebem ou contratam ajuda. Dentro de cada realidade, a maioria das mães assumem responsabilidades que são capazes de suportar, de acordo com suas condições físicas, psíquicas e sociais, podendo, muitas delas, ultrapassar limites e se desdobrar um pouco mais. Algumas mais presentes e envolvidas; outras mais ausentes, que em determinados momentos, não conseguem se descolar de seus próprios problemas, precisando, elas mesmas, serem olhadas e cuidadas. Mães mais corajosas em determinadas situações e outras mais temerosas. Mães que amam incondicionalmente ou condicionalmente, apesar da raiva, frustração, dor, sofrimento, e tantos outros sentimentos que invariavelmente estão presentes na relação com o filho. Em alguns momentos da vida –   pontuais ou não – se tornam mais exigentes e/ou pouco afetivas; em outros, mais companheiras e acolhedoras. Há dias onde as dúvidas e questionamentos as deixam inquietas e vulneráveis; outros nem tanto, podendo apenas desfrutar da satisfação de ser mãe.

São inúmeras as situações que registram as diferenças de cada mãe e desta para com seus filhos e família em geral.  Uma não é melhor ou pior que a outra. Todas são mães, diante de suas possibilidades de realização.  Nenhuma mais ou menos mãe que a outra, dentro de seus conceitos, valores e condições, e em grande parte, fortalecidas pelas suas convicções, sejam elas quais forem.

Apesar das variadas atividades e funções exercidas pelas mães, todas as possibilidades são construídas, inventadas e reinventadas, durante o processo da maternagem, de acordo com as infinitas situações (positivas e negativas) vivenciadas por cada uma delas. Suas experiências, mesmo que semelhantes, tem significados singulares. Daí, a diversidade e complexidade de SER MÃE.

Entre um obstáculo e outro, o aprendizado surge (ou não) a cada dia em sua vida e na vida das pessoas que a cercam. Para aqueles que estão fora da relação, fica difícil alcançar e compreender o sentido único de cada experiência. E, de repente, os julgamentos e conceitos de “certo” e “errado”, “bom” e “ruim”, “saudável” e “doentio” aparecem dentro de uma realidade vista com certa parcialidade, principalmente frente às dificuldades. Como consequência, algumas mães são criticadas pelo simples fato de se desconhecer as razões e emoções (conscientes ou inconscientes) que permeiam suas ações. Mães, que mesmo sabendo que se tivessem atitudes diferentes, seriam melhores, não as fazem.  Por quê? Ser mãe é fazer aquilo que está ao seu alcance, naquele determinado momento, frente suas condições emocionais, físicas, familiares, mas sempre, com uma capacidade inerente de superação e transformação.  Suas limitações e imperfeições devem ser respeitadas – o que não significa ficar acomodada –  até que consigam (com ou sem ajuda) fazer de outra forma, a partir de novas oportunidades e descobertas que a vida e as relações lhe oferecem, propiciando, em muitos momentos, conscientização e autoconhecimento.

Em meio às múltiplas transformações, o mais valioso é não perder a própria liberdade de ser quem realmente são. Independente de ser aquela que gerou e/ou criou, mãe representa a experiência simbólica de alguém que alimenta física e emocionalmente, que acolhe, protege e ensina a viver e crescer, mesmo diante de todas as adversidades.

E para você? Ser mãe é…


Texto do site Ninguém cresce sozinho – http://ninguemcrescesozinho.com/2013/05/10/mae/

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